Guajara Mirim questiona gasto de 450 mil em show pago com emenda
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Estudo da Faperon revela que o ponto de equilíbrio da arroba do boi em Rondônia varia entre R$ 240,00 e R$ 372,00, evidenciando desafios econômicos para pecuaristas.
A Federação de Agricultura e Pecuária de Rondônia (Faperon) divulgou uma análise abrangente sobre o ponto de equilíbrio da arroba do boi e a atual distribuição de valor na cadeia produtiva da pecuária de corte. O estudo foi realizado por sua área técnica, utilizando modelos econômicos e dados coletados diretamente de pecuaristas no estado.
Com base em levantamentos do consultor Celso Ricardo Ferreira e parâmetros de instituições como CNA, CEPEA, Embrapa e Scot Consultoria, a análise leva em consideração sistemas de recria e engorda em todo o Brasil, incluindo custos reais de produção e riscos econômicos envolvidos na atividade.
O cálculo abrange despesas com reposição, alimentação, manejo, sanidade, mão de obra, depreciação e custo da terra, além da remuneração mínima do capital investido. Segundo os dados, o ponto de equilíbrio em sistemas de alta exigência tecnológica varia entre R$ 308,00 e R$ 372,00 por arroba, refletindo a realidade dos produtores que operam em sistemas de ciclo completo ou semiconfinamento.
Os sistemas extensivos a pasto apresentam custos inferiores, entre R$ 240,00 e R$ 280,00 por arroba, mas são destacados como o custo total de sustentabilidade da atividade. Nesse contexto, preços abaixo do ponto de equilíbrio configuram prejuízos econômicos e corrosão patrimonial.
A elevação do ponto de equilíbrio é atribuída a fatores como aumento no custo de reposição animal, valorização do arrendamento, elevação dos custos operacionais e maior exigência de capital. Em simulações para 2026, a análise indica que o custo total por cabeça pode ultrapassar R$ 5.300,00.
Com a comercialização da arroba a R$ 290,00, a rentabilidade mensal do produtor recua para cerca de 0,52%, um percentual que não compensa os riscos produtivos. Dados de janeiro de 2026 mostram que o preço da arroba em Rondônia esteve entre R$ 271,90 e R$ 287,96, valores que continuam a ficar abaixo do ponto de equilíbrio.
Além disso, o diferencial de base de Rondônia em janeiro se mostrou superior à média histórica, com um diferencial médio de cerca de 13%. Estima-se que o diferencial real chegue a 14%, indicando desvalorização da arroba, que gera perdas econômicas significativas aos pecuaristas.
A zootecnista Cimara Gonzaga, da FAPERON, ressalta que o Custo Operacional Total (COT) está próximo dos valores pagos pelos frigoríficos, uma situação que impacta fortemente os pequenos produtores. A análise também evidencia uma assimetria na cadeia produtiva, onde a receita da indústria frigorífica ultrapassa R$ 1.000,00 por arroba, em contrapartida à dificuldade dos pecuaristas em cobrir seus custos.
O presidente da FAPERON, Hélio Dias, enfatiza que o fortalecimento do setor depende do aumento da produtividade e da eficiência logística, destacando a importância da Hidrovia do Rio Madeira. Além disso, propõe a redução da alíquota do ICMS para 4% na saída de animais em pé como uma medida crucial para evitar distorções de mercado.
Conclui-se que é essencial o pagamento de um preço justo pela arroba, que reflita os custos de produção e as exigências do mercado internacional. Um equilíbrio financeiro é necessário para assegurar a sustentabilidade da pecuária rondoniense, fundamental para a economia do estado e para as milhares de famílias que dependem da atividade.
Fonte das informações: Federação de Agricultura e Pecuária de Rondônia (Faperon)
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