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  • 18 Apr, 2026

Guajará-Mirim gasta quase meio milhão com festa enquanto buracos, falta de saneamento e serviços expõem gestão improvisada; pede-se responsabilidade política.

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Guajará-Mirim, cidade na fronteira com a Bolívia, completou 97 anos no último dia 10 e enfrenta uma combinação de patrimônio histórico e problemas estruturais persistentes, segundo texto do jornalista Arimar Souza de Sá.

Localizada entre os rios Madeira e Mamoré, a cidade guarda memória de pioneiros e de antigos modos de vida: moradores recordam quando o trem da região, vindo da Pérola do Mamoré, passava próximo à Baixa da União e marcava o início do dia.

Hoje, porém, moradores e observadores destacam sinais de declínio urbano. Ruas com buracos, ausência de saneamento suficiente e serviços públicos que funcionam de forma improvisada são apontados como problemas recorrentes e visíveis ao caminhar pela cidade.

No episódio mais recente de comemoração aos 97 anos, o autor denuncia que quase meio milhão foi gasto em festa municipal, enquanto necessidades básicas permanecem sem solução. Para ele, o investimento em eventos não dialoga com as prioridades da população e funciona como distração frente às deficiências da gestão.

O texto também critica a atuação da classe política local: segundo o autor, políticos aparecem alinhados e sorridentes em eventos oficiais, mas mantêm silêncio nos dias comuns, priorizando a imagem para fotografias em detrimento de planejamento e ações concretas.

Entre as acusações feitas estão práticas que aproximam o uso do recurso público a interesses privados, como pagamentos atípicos para transporte entre margens do rio — situações que, na ótica do autor, revelam a banalização do dinheiro público e falta de constrangimento por parte de quem administra.

O autor atribui parte da responsabilidade também ao eleitorado local, argumentando que escolhas repetidas e a memória curta do eleitor favorecem a manutenção de padrões políticos já estabelecidos: "a urna não erra, ela revela", escreve, apontando votos desatentos e permissividade como fatores que mantêm práticas de governo equivocadas.

Em síntese, o texto afirma que governar exige garantir o básico e cuidar do cotidiano, e que a sobreposição de espetáculos e festas à gestão de serviços essenciais deixa a cidade vulnerável. Ao término das celebrações, lembra o autor, Guajará-Mirim permanece com os mesmos problemas e a expectativa por mais responsabilidade.

O artigo conclui com um apelo à reflexão e à mudança: menos palco e aplausos e mais ação e compromisso por parte de gestores e eleitores, segundo a análise apresentada por Arimar Souza de Sá.



Fonte da imagem: Reprodução/Emanoel Javoski/Arquivo Pessoal

Fonte das informações: Arimar Souza de Sá