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  • 17 Apr, 2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o Brasil permanece em negociações com os EUA sobre tarifas, focando em planos de contingência para mitigar impactos.

Durante entrevista à Rádio CBN, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Governo brasileiro permanece comprometido com as negociações comerciais, apesar da possibilidade de implementação de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, a partir de 1º de agosto.

O governo brasileiro está desenvolvendo planos de contingência para apoiar setores que possam ser impactados pelo plano do presidente dos EUA, Donald Trump, que propõe uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras. Haddad ressaltou que a orientação do presidente Lula é não dar motivos para sofrer sanções e manter o diálogo com os EUA.

O ministro destacou que uma nova carta foi enviada ao governo dos Estados Unidos, complementando uma comunicação anterior enviada em maio, mas até o momento não houve resposta. Ele enfatizou a intenção de continuar buscando uma aproximação entre os dois países, que, segundo ele, não têm razões para estarem distantes.

Além disso, Haddad mencionou que um grupo de trabalho foi estabelecido para estudar as alternativas de apoio aos setores brasileiros afetados pela possível elevação das tarifas. Embora essas opções ainda não tenham sido apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad acredita que é possível enfrentar diversas situações, incluindo a ausência de respostas das autoridades americanas.

O ministro expressou que o governo não pretende retaliar os Estados Unidos ou suas empresas, mas está avaliando a aplicação da lei da reciprocidade. Um grupo de trabalho está preparando propostas que serão levadas ao presidente, visando alternativas tanto para a aplicação dessa lei quanto para o suporte aos segmentos mais vulneráveis.

Haddad também garantiu que os planos de contingência não necessariamente levarão a um aumento de despesas que comprometam as metas fiscais do governo. Ele citou a experiência de assistência às vítimas de enchentes no Rio Grande do Sul, onde foram utilizados instrumentos financeiros variados, evitando o aumento de gastos públicos diretos.

O ministro mencionou que outros países também estão enfrentando dificuldades devido às tarifas impostas pelos EUA, mas ressaltou a situação particular do Brasil, que é afetada por uma relação próxima entre o ex-presidente Bolsonaro e Trump. Ele defendeu a necessidade de unidade nacional e criticou elementos internos que concorrem contra os interesses do país neste momento crítico.

Haddad explicou que o Brasil possui um déficit comercial com os Estados Unidos, indicando que o país não justificaria a imposição de tarifas tão altas. Ele revelou que teve diversas reuniões com representantes do governo americano e que, em contatos recentes, foi manifestada uma abertura para discutir a redução das tarifas que originalmente estavam previstas.

O ministro expressou sua preocupação com a mudança abrupta nas tarifas propostas, questionando o que poderia ter alterado a disposição inicial das autoridades americanas. Ele associou a manutenção das tarifas elevadas a aspectos pessoais da relação entre Trump e o ex-presidente brasileiro.

Por fim, Haddad comentou sobre a investigação anunciada por Trump em relação ao sistema de pagamento instantâneo, Pix, elogiando-o como um modelo eficaz de transações financeiras que pode ser adotado em outros países. Ele sugeriu que tal inovação não deveria ser vista como uma ameaça, mas sim como um avanço.

Fonte da imagem: Divulgação

Fonte das informações: Agencia Gov