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  • 18 Apr, 2026

Povos tradicionais se mobilizam em Brasília para o Dia da Amazônia, exigindo proteção territorial e fim da exploração predatória em defesa do bioma.

No dia 5 de setembro, em celebração ao Dia da Amazônia, representantes de povos do campo, das águas e da floresta se mobilizaram em Brasília. O ato, realizado na tarde de quinta-feira (4), prestou homenagem ao legado de Chico Mendes, destacado defensor dos direitos dos povos tradicionais na preservação das florestas e de seus territórios.

A mobilização trouxe mensagens como "Território protegido, Brasil soberano" e "Amazônia livre de petróleo e gás", além de reafirmar a "Declaração do Mutirão dos Povos da Amazônia para COP 30: A resposta somos nós". Este documento, elaborado coletivamente durante o Mutirão dos Povos em Belém, em julho, clama por coragem e ambição climática por parte da sociedade brasileira e do mundo.

Os movimentos sociais e indígenas exigem o reconhecimento e a proteção dos territórios, o fim da exploração predatória e a consideração da Amazônia como um bem comum da humanidade. Além disso, pedem o cessation da violência contra os povos que conservam a floresta. A declaração foi assinada por 19 organizações e encaminhada à presidência da COP 30.

Alana Manchineri, Assessora Internacional da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), ressalta a importância da luta pela preservação da Amazônia. Ela afirma que, por gerações, os povos indígenas mantêm o equilíbrio natural da região e não permitirão que a Amazônia se torne uma nova fronteira para os combustíveis fósseis. Alana enfatizou que a solução para a crise climática pode ser encontrada na colaboração entre aqueles que cuidam da Terra.

Em um cenário global repleto de conflitos, discutir a soberania popular e territorial é essencial. A declaração dos movimentos ressalta que "sem reforma agrária, demarcação, titulação, regularização fundiária e desintrusão imediata dos nossos territórios, não haverá floresta, nem planeta para as próximas gerações". Além disso, o grupo rejeita a ideia de transformar a floresta em mercadoria e a exploração de petróleo na região.

Iury Paulino, Coordenador Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), destacou que defender a Amazônia é fundamental para a defesa do Brasil. Ele afirmou que a soberania se constrói com respeito aos territórios e aos povos, e que a unidade popular, garantias de direitos e uma democracia real são essenciais para essa proteção.

A mobilização em direção à COP 30 foi impulsionada pelo apelo dos povos indígenas por uma ação global em prol da vida no planeta. A campanha "A Resposta Somos Nós" enfatiza a importância do reconhecimento dos territórios e saberes indígenas no enfrentamento das mudanças climáticas.

Dione Torquato, representante do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), reforçou a mensagem de Chico Mendes sobre a união entre extrativistas, indígenas, ribeirinhos e agricultores, afirmando que a Amazônia é central para a soberania brasileira e que os povos que dela vivem são seus verdadeiros protetores.

A Amazônia é vital para a biodiversidade e desempenha um papel crucial no clima global, abrigando mais de 40 milhões de pessoas. Contudo, as mudanças climáticas têm impactado severamente essa floresta tropical. Nos anos de 2023 e 2024, a Amazônia enfrentou secas históricas consecutivas, intensificando a vulnerabilidade da floresta a queimadas.

Estudos mostram que cerca de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa são oriundas da queima de combustíveis fósseis. Portanto, é urgente abandonar esses combustíveis para proteger a Amazônia e outros biomas. A ciência alerta que, se os governos não aumentarem drasticamente suas ambições, a meta de 1,5°C de aquecimento global poderá ser ultrapassada ainda nesta década.

Com a realização da COP 30 no Brasil, este ano é considerado crucial para a Amazônia, que deveria ser um ponto de virada para ações mais ambiciosas em prol da preservação do planeta. No entanto, as expectativas de ações alinhadas aos esforços necessários ainda não foram atendidas.

Fonte da imagem: Arthur Menescal

Fonte das informações: Assessoria