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  • 17 Apr, 2026

Comunidades ribeirinhas em Porto Velho enfrentam crise hídrica. MPRO reúne entidades para alinhar esforços e implementar o projeto Gotas de Esperança, focando em soluções sustentáveis.

A escassez de água potável, agravada pela seca intensa e pela falta de infraestrutura, afeta as comunidades ribeirinhas de Porto Velho. Para abordar essa situação, o Ministério Público de Rondônia (MPRO) organizou uma reunião na manhã de quarta-feira, 9 de julho, que contou com a presença de representantes de instituições como o Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Visão Mundial, Unicef e o Instituto Água Sustentável. O objetivo do encontro foi alinhar estratégias para evitar sobreposições nos esforços e fortalecer a participação de lideranças locais no combate ao problema.

O procurador de Justiça Marcos Valério Tessila de Melo destacou que o MPRO monitora de perto as condições das comunidades no Baixo Madeira, por meio do projeto MP Itinerante, que envolveu 25 instituições parceiras no último mês de maio em São Carlos, Nazaré e Calama. Ele mencionou que a instituição se compromete a apoiar iniciativas que visem melhorar a qualidade de vida da população ribeirinha e que as discussões para a implementação do projeto Gotas de Esperança já estavam em andamento há aproximadamente dois anos, com a fase de execução agora prestes a começar.

Segundo o procurador, o MPRO fornecerá suporte logístico de acordo com suas atribuições legais. "O Baixo Madeira é uma área de atuação direta para nós. Esperamos que esse projeto leve esperança às comunidades que enfrentam enormes dificuldades, especialmente no acesso à água potável, um problema que se intensifica nesse período do ano", afirmou.

O promotor de Justiça Pablo Hernandez Viscardi, que coordena o Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente, Habitação, Urbanismo, Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico (Gaema), observou que a crise hídrica na região está diretamente relacionada às mudanças climáticas. Ele enfatizou que as comunidades foram idealizadas para um cenário de abundância de água e que a necessidade atual é de soluções estruturantes, como sistemas de captação e armazenamento que funcionem adequadamente em períodos críticos.

O promotor Shalimar Christian Priester Marques, que atua na área ambiental, também participou da reunião e destacou a importância da água de qualidade para as comunidades tradicionais.

Nos três dias seguintes, representantes das organizações parceiras visitaram comunidades como Calama e Terra Firme no Baixo Madeira. O objetivo das visitas foi ouvir os moradores, mapear as principais dificuldades e propor soluções. As visitas revelaram que muitos locais carecem de sistemas de distribuição de água, e alguns poços não têm energia elétrica para operar.

Renata Cavalcanti, diretora de Operações da Visão Mundial, comentou sobre as dificuldades enfrentadas por algumas comunidades, onde moradores chegam a caminhar até meia hora para coletar água — uma distância que pode aumentar significativamente durante a estiagem. O projeto busca implementar ações estruturais como perfuração de poços, instalação de sistemas de energia solar e construção de reservatórios, além de promover a educação ambiental para fortalecer a consciência das comunidades sobre a relação com o meio ambiente.

A proposta do projeto Gotas de Esperança visa integrar os conhecimentos das lideranças locais com a estrutura das instituições envolvidas. "Queremos que a ação não seja pontual e transitória, mas que plante uma gota de esperança duradoura, capacitando as comunidades a assumirem a gestão da água", afirmou Renata Cavalcanti.

As ações planejadas incluem a instalação de reservatórios de maior capacidade, a utilização de energia solar para o abastecimento de poços e a capacitação de associações comunitárias na gestão dos recursos hídricos. As soluções serão adaptadas conforme a realidade de cada localidade visitada.

Fonte das informações: Assessoria