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  • 18 Apr, 2026

O aumento de casos de HIV entre jovens em Rondônia destaca a vulnerabilidade dessa faixa etária, com 37,1% dos diagnósticos em 2023. Ações de prevenção e campanhas foram intensificadas para enfrentar o desafio.

O avanço dos casos de HIV entre jovens brasileiros representa um dos principais desafios de saúde pública no país, com destaque para Rondônia. Dados do Ministério da Saúde mostram que quase metade dos novos diagnósticos de HIV no Brasil ocorre entre pessoas de 15 a 29 anos, concentrando-se particularmente nos homens. No estado, em 2023, a faixa etária de 20 a 29 anos registrou 37,1% dos casos, evidenciando a vulnerabilidade desse segmento populacional.

Entre 2022 e 2023, Rondônia apresentou um aumento de 15,47% na detecção de casos de HIV, um crescimento mais de três vezes superior à média nacional, que foi de 4,5%. Os dados indicam que 53,6% dos diagnósticos foram entre homens que têm sexo com homens (HSH) e que 63,2% envolveram pessoas negras ou pardas.

Embora o número de diagnósticos esteja em ascensão, Rondônia viu uma redução na mortalidade por Aids. A taxa de óbitos caiu de 4,8 para 3,9 por 100 mil habitantes na última década, representando o menor índice desde 2013, com 108 mortes registradas em 2023. Segundo especialistas, essa queda pode ser atribuída ao aumento da disponibilidade de diagnóstico precoce e tratamento antirretroviral gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma das conquistas recentes em Rondônia é a expansão da PrEP (profilaxia pré-exposição), que passou de 160 usuários em 2022 para 411 em 2024. No Brasil, o número de pessoas atendidas por este serviço praticamente dobrou, alcançando 109 mil em 2024. Campanhas de prevenção voltadas para a juventude também foram intensificadas, como a ação realizada no Carnaval de 2025, na qual o governo estadual distribuiu uma variedade de materiais, incluindo 424 mil preservativos masculinos e 155 mil testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Rondônia ganhou reconhecimento nacional pelo combate à transmissão vertical do HIV, com 39 dos 52 municípios do estado certificados na eliminação dessa forma de transmissão. Cidades como Vilhena receberam certificação tripla, abrangendo HIV, sífilis e hepatite B, enquanto outras, como Ariquemes, Ji-Paraná e Cacoal, estão sendo avaliadas pela OPAS/OMS para possível reconhecimento internacional em 2025.

Entretanto, o estigma e a discriminação continuam a ser barreiras significativas. Um levantamento realizado em 2025 apontou que 52,9% das pessoas vivendo com HIV no Brasil já enfrentaram algum tipo de preconceito, e 38,8% relataram comentários ofensivos ou fofocas. Essa realidade influencia a adesão ao tratamento e a busca por serviços de saúde, especialmente entre os jovens.

As autoridades de saúde reconhecem que, apesar dos avanços no diagnóstico, prevenção e redução da mortalidade, os jovens continuam a ser o grupo mais vulnerável. Especialistas sugerem que a educação sexual nas escolas deve ser ampliada, assim como o acesso à PrEP e a realização de campanhas continuadas de conscientização, além da necessidade de combater o preconceito em relação à doença.

Fonte da imagem: Divulgação/Reprodução

Fonte das informações: Idaron