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  • 18 Sep, 2026

Equipes no Nepal e Tibete foram mobilizadas, com ajuda externa, mas vias destruídas, lamaçais e a janela de sobrevivência de minutos complicam buscas e resgates.

Uma avalanche de lama e água atingiu um vale na fronteira entre o Nepal e a região do Tibete, na China, deixando centenas de mortos e desaparecidos. Em poucas horas, equipes de resgate dos dois lados da fronteira mobilizaram-se para buscas, atendimento e acolhimento das vítimas.

Tsunami de lama invade ruas e casas no Nepal

Tsunami de lama invade ruas e casas no Nepal — vídeo publicado no Globoplay.

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Autoridades chinesas enviaram militares e mais de 30 mil kits de emergência contendo tendas, fogões, roupas e outros itens básicos para deslocados. Nepal e Índia emitiram alertas para remoção de moradores de áreas de risco enquanto as operações de socorro são organizadas.

As expectativas de encontrar sobreviventes são reduzidas. Ao contrário de terremotos, em que existe uma janela de até 72 horas para resgatar pessoas presas em escombros, deslizamentos e avalanches oferecem uma oportunidade muito mais curta: estudos indicam que a sobrevida média em avalanches é de cerca de 10 a 15 minutos devido ao risco de asfixia por soterramento.

Sobreviventes encontrados após dias são casos raros e ocorrem, em geral, na periferia do fluxo de detritos. Mesmo pessoas em cavidades vedadas têm baixa probabilidade de sobrevivência quando estão a mais de seis metros de profundidade, pela dificuldade de acesso das equipes.

As buscas enfrentam outros desafios práticos: a massa de lama e detritos pode deslocar pessoas por quilômetros e espalhar escombros, eliminando pontos de referência que auxiliariam a localização das vítimas.

O terreno permanece instável, e equipes não iniciarão intervenções nas áreas mais críticas até que haja condições de segurança e sistemas de alerta em funcionamento. A região do Himalaia afetada pela avalanche ainda deve receber chuvas das monções até setembro, o que aumenta o risco de novos deslizamentos e complica a estabilização do local.

Nos primeiros dias, o perímetro da tragédia costuma estar tomado por lamaçal, o que dificulta o avanço de profissionais e equipamentos. Além disso, muitas estradas que dão acesso a vilarejos e cidades foram arrastadas, forçando o uso de rotas alternativas e impondo complexidade logística para estabelecer cadeias de suprimento.

A escavação e a exploração dos escombros em deslizamentos são mais difíceis do que em colapsos estruturais provocados por terremotos. A lama compactada, combinada com rochas, troncos e materiais de construção, torna o trabalho de recuperação de corpos mais demorado e arriscado, e aumenta a exposição dos corpos à degradação e decomposição.

Em muitos casos, ainda que a localização de uma vítima seja identificada, o resgate pode ser inviável devido ao acesso bloqueado ou à profundidade em que a pessoa se encontra. Por isso, autoridades alertam que parte dos corpos pode não ser localizada ou recuperada.

Especialistas afirmam que os esforços de busca nesta tragédia serão mais extensos e complexos do que em desastres como o rompimento de barragem em Brumadinho, dada a combinação de alcance do fluxo, instabilidade do terreno, destruição de vias de acesso e condições meteorológicas desfavoráveis.

Principais dificuldades enfrentadas nas buscas:

  • Janela de sobrevivência muito curta (em geral 10–15 minutos) em avalanches;
  • Deslocamento de vítimas e destruição de pontos de referência;
  • Terreno instável e risco de novos deslizamentos durante a estação de monções;
  • Vias de acesso destruídas, exigindo logística alternativa;
  • Escavação complexa em lama compactada, rochas e detritos, dificultando recuperação de corpos.

As operações continuam com prioridade para resgate, atendimento médico e apoio aos deslocados, enquanto equipes avaliam a segurança do terreno e as condições para ampliar as buscas nas áreas mais afetadas.

Fonte da imagem: Mídia social

Fonte das informações: autoridades locais e agências de resgate

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