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Começar a correr aos 50+ é viável: check-up, controle da composição corporal, treino progressivo e acompanhamento profissional reduzem lesões e melhoram saúde.
Muitas pessoas que querem começar a correr se perguntam se a idade, sobretudo a partir dos 50 anos, é um impedimento. Preocupações com lesões, a falta de um planejamento de treinos e fatores psicológicos levam muita gente a desistir antes mesmo de tentar.
O risco de lesões é uma das principais dúvidas. Para esclarecer como minimizar esse risco, conversamos com a Dra. Ana Paula Simões, presidente da Sociedade Paulista de Medicina do Esporte (SPAMDE) e médica nas Olimpíadas do Rio 2016. Segundo ela, a composição corporal é determinante: é preciso garantir massa magra suficiente para sustentar as atividades e manter baixa porcentagem de gordura. "Não é sobre o peso, é sobre o volume muscular para garantir uma boa mobilidade", afirmou.
A médica também destacou a importância de monitorar alterações metabólicas e hormonais associadas ao envelhecimento, que podem afetar a saúde óssea e muscular, favorecendo condições como osteopenia, osteoporose e sarcopenia. "Para ter longevidade é preciso fazer controle laboratorial da composição corporal, ajustar a nutrição e as reposições necessárias para a idade, além de muito fortalecimento para manutenção da massa muscular", recomendou Dra. Ana Paula.
Ela ressaltou que a idade não precisa ser limitante, mas é essencial reconhecer as limitações individuais e manter acompanhamento médico. "Faça manutenção das articulações com mobilidade e exercícios de força, tenha uma boa nutrição, passe com um profissional para orientar e comece sempre de forma progressiva e gradual; escute seu corpo: se sentir dor, diminua o ritmo ou a quilometragem. A ideia é que seja algo divertido, lento e progressivo", completou.
Para orientar quem está iniciando, o treinador e comentarista oficial da São Silvestre, Wanderlei Oliveira, indicou uma sequência de exames e avaliações antes de começar a correr:
Com os cuidados em dia, Wanderlei recomenda procurar um treinador qualificado que acompanhe pontos fortes e fracos e respeite o nível técnico atual. "Estar com os exames médicos e as vacinas em dia é importante, principalmente para quem tem mais de 60 anos", disse ele.
O treinador relatou que, ao longo de mais de 30 anos trabalhando com ex-sedentários — muitos acima dos 60 anos —, observou benefícios consistentes: aumento da autoconfiança, sono mais tranquilo, maior disposição, melhora na alimentação e na digestão. Ele citou ainda pesquisa do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) que aponta maior produtividade entre homens e mulheres acima de 60 anos que seguem programas de corrida personalizados em comparação com pares sedentários.
Um exemplo prático é Ana Luiza dos Anjos Garcez, campeã mundial dos 5.000 metros e recordista na prova de 21 km em Miami na sua categoria, com 1h26. Criada nas ruas de São Paulo, ela encontrou no esporte um caminho para sair das drogas e da violência. Treinada por Wanderlei Oliveira, Ana Luiza atribui à corrida a mudança de vida: "O atletismo para mim significa tudo, perseverança, garra e também respeito."
Mesmo com história de problemas com drogas e carência nutricional no passado, o acompanhamento profissional ajudou Ana Luiza a melhorar desempenho e qualidade de vida. O caso dela ilustra que, com avaliação médica, orientação técnica, preparo físico e progressão adequada, pessoas com mais de 50 anos podem iniciar a corrida e alcançar ganhos significativos de saúde e desempenho.
Em resumo: idade não é necessariamente um impeditivo para começar a correr. Exames médicos, avaliação funcional e acompanhamento de profissionais qualificados, aliados a treinos progressivos e atenção à composição corporal e à alimentação, são o caminho para praticar a atividade com segurança e colher benefícios para a saúde e bem‑estar.
Fonte das informações: jornalcorrida
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