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  • 19 Apr, 2026

A expansão do Terceiro Comando Puro na Amazônia preocupa autoridades, com indícios de infiltração em Rondônia. A facção utiliza táticas religiosas para consolidar domínio.

O Terceiro Comando Puro (TCP) tem se expandido de forma silenciosa, porém organizada, no Norte do Brasil, alterando o cenário da segurança pública na região. Apresentando-se com uma estética e linguagem religiosas, a facção, conhecida como a “facção evangélica”, utiliza símbolos cristãos e discursos moralizantes para fortalecer seu domínio territorial. Essa estratégia a tornou a terceira maior força do crime no Brasil, ficando atrás apenas do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Pesquisadores já consideram consolidada a presença do TCP nos estados do Acre, Amazonas e Pará. O avanço até as fronteiras de Rondônia acende um alerta entre as autoridades, que percebem sinais concretos de aproximação e os riscos de entrada do grupo no estado, evidenciados por pichações com a “Estrela de Israel”, um símbolo amplamente associado à facção, e relatos de ataques a terreiros e espaços religiosos de matriz africana, práticas observadas em outros territórios sob domínio do TCP.

No Rio de Janeiro, onde o TCP teve suas origens, a facção chamou atenção ao marcar seu território com referências religiosas, como a grande Estrela de Davi em neon instalada em uma caixa d'água no Complexo de Israel, em Parada de Lucas. O grupo utiliza referências bíblicas para firmar sua autoridade e obter aceitação social. Apesar das operações policiais que destruíram estruturas luxuosas e capelas clandestinas, o TCP continua a expandir sua rede de influência em pelo menos nove estados, incluindo:

  • Rio de Janeiro
  • São Paulo
  • Paraná
  • Santa Catarina
  • Minas Gerais
  • Pernambuco
  • Bahia
  • Amazonas
  • Pará

A presença do TCP é especialmente agressiva no Norte, onde o grupo aproveita a geografia da Amazônia para se fortalecer. Os rios funcionam como corredores logísticos, e a vulnerabilidade das comunidades ribeirinhas, somada à ausência histórica do Estado, cria um ambiente favorável para o avanço do crime organizado. A facção compete por território com o Comando Vermelho e grupos locais, intensificando as tensões em áreas urbanas e rurais. A imposição de normas religiosas, ataques a terreiros e pressões para que a comunidade adote códigos de conduta embasados em interpretações fundamentalistas da fé têm sido parte de sua estratégia de expansão.

Nos últimos dois anos, o Acre se tornou um ponto estratégico para o avanço do TCP, dada sua proximidade com Rondônia e a facilidade de circulação entre cidades fronteiriças. Fontes ligadas à segurança pública relatam que o grupo já está testando formas de infiltração social, utilizando líderes que se apresentam como pastores ou missionários, estratégia que dificulta a identificação de suas atividades ilegais.

O discurso religioso adotado pelo TCP serve a objetivos estratégicos, como:

  • Reduzir a desconfiança da população ao se apresentar como defensora da comunidade;
  • Mascarar encontros e rituais, confundindo-os com cultos e atividades religiosas;
  • Atração de jovens e famílias vulneráveis;
  • Conferir aparência de legitimidade às lideranças, que transitam como pastores ou conselheiros.

Essa camuflagem proporciona uma “blindagem simbólica” que complica investigações e permite a expansão do grupo sem causar alertas imediatos. Com a presença do TCP já consolidada no Acre e em diálogo no Amazonas, especialistas afirmam que Rondônia é a próxima na rota de crescimento da facção. Os potenciais impactos de sua entrada no estado incluem:

  • Aumento de conflitos com facções já estabelecidas;
  • Maior pressão sobre comunidades periféricas;
  • Escalada de crimes relacionados ao tráfico;
  • Disseminação de discursos e práticas de intolerância religiosa;
  • Imposição de códigos de conduta e domínio territorial.

As autoridades locais percebem essa situação como uma ameaça crescente e defendem uma resposta antecipada, integrada e pautada em inteligência. A ascensão do TCP revela um novo modelo de crime organizado que utiliza a religiosidade como forma de poder. À medida que se aproxima de Rondônia, os riscos se intensificam, e a combinação de vulnerabilidade social e fronteiras abertas cria um ambiente favorável para o crescimento de facções como o TCP, que se disfarçam de fé, mas atuam pela força, deixando as comunidades sob uma atmosfera de medo e silêncio.

Fonte da imagem: PC-RJ

Fonte das informações: Rondoniaovivo