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  • 19 Sep, 2026

Taraneh Rahimi foi sentenciada à pena capital por acusação de homicídio ligada aos protestos de janeiro; há relatos de tortura; irmã cumpre 36 anos.

Taraneh Rahimi e sua irmã gêmea, Romina, foram acusadas de envolvimento na morte de um membro da Guarda Revolucionária iraniana; Taraneh está no corredor da morte e Romina cumpre pena de décadas.

As duas participaram, nos dias 8 e 9 de janeiro, de protestos noturnos em Isfahan que integraram um movimento nacional desencadeado no final de dezembro por aumento do custo de vida. As manifestações foram reprimidas com violência e, segundo organizações de direitos humanos e relatores da ONU, resultaram em dezenas de milhares de prisões.

Uma semana após os atos, quando tinham 20 anos, as irmãs foram detidas em uma batida policial na casa da família, segundo parentes que vivem no exterior. Em julho, elas foram levadas a julgamento, em uma audiência realizada dentro de uma prisão de Isfahan, como parte de um processo que envolve outras 14 pessoas.

Elas foram acusadas de participação na morte de um membro da Guarda Revolucionária e na morte de uma pessoa em situação de rua ocorrida à margem das manifestações. De acordo com a organização Human Rights Activists (HRANA), Taraneh foi condenada um mês depois por "guerra contra Deus" e Romina recebeu sentença de 36 anos de prisão.

Parentes afirmam que Taraneh sofre de problemas de saúde, entre eles dores no joelho decorrentes de cirurgia anterior à prisão. Um médico teria recomendado sua transferência para atendimento hospitalar fora do estabelecimento prisional, pedido que as autoridades teriam negado, segundo o primo Masud Nourmohamadi, que vive nos Estados Unidos. "Disseram a ela: 'Não importa como você morra, você será enforcada de qualquer maneira'", relatou ele.

O primo também denunciou tortura física e psicológica, além de pressões para obtenção de confissões. "Os jovens foram torturados uns na frente dos outros, um após o outro. Eles se certificaram de que Taraneh ouvisse os gritos de Romina. Disseram a ela: 'Se você não assinar essas confissões, vamos estuprar sua irmã na sua frente.' É claro que ela assinou", disse Nourmohamadi.

O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) informou preocupação com a saúde de Taraneh, relatando que ela tem dificuldade para andar. Taraneh completou 21 anos enquanto estava presa.

A sentença de Taraneh ainda pode ser contestada, mas ativistas lembram que o Irã já executou dezenas de pessoas em conexão com os protestos — 29, segundo relatos — após julgamentos que diversas organizações, como a Anistia Internacional, consideram injustos.

Os parentes afirmam que não há provas contra as irmãs e que os advogados só tiveram acesso aos autos no primeiro dia de julgamento. Ativistas acusam as autoridades iranianas de usar execuções para semear medo na população, em um momento de tensão internacional; por sua vez, representantes do governo dizem agir contra "instigadores" e descrevem os protestos como "distúrbios fomentados pelo exterior".

Fonte da imagem: foto cedida pela família

Fonte das informações: g1.globo.com

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