Carregando...

  • 18 Apr, 2026

José Romão Grande, presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha, faleceu aos 102 anos em Porto Velho, deixando um legado de luta e resistência.

José Romão Grande, presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha, faleceu na noite de quinta-feira (8) em Porto Velho, aos 102 anos. Grande foi um dos últimos sobreviventes a relatar a experiência dos trabalhadores recrutados para a Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial. Em 11 de março, ele completaria 103 anos. O vice-presidente do Sindicato, George Telles, ressaltou a importância do trabalho de Romão pela defesa e reconhecimento da categoria dos "soldados da borracha".

Nascido em Flecheiras, Parnaíba (PI), em 11 de março de 1923, Romão alistou-se para trabalhar nos seringais da Amazônia após ouvir sobre a necessidade de trabalhadores durante a crise da borracha provocada pela guerra. Motivado por promessas de melhores condições de vida, ele enfrentou uma jornada difícil, primeiro em um barco e, depois, no porão de um navio até chegar à região amazônica em 1943.

Ao chegar lá, recebeu o número de identificação 11035 e um fardamento, mas logo percebeu que nada do que lhe fora prometido se concretizou. Nos seringais, viveu uma rotina marcada pela fome, doenças e abandono, testemunhando a morte de muitos companheiros devido a malária, beribéri e outras doenças comuns na região. Ao longo dos anos, Romão trabalhou em diversos seringais no Amazonas e no Acre.

Embora tenha sido reconhecido como ex-combatente de guerra pelo Governo Federal, José Romão lutou incansavelmente pelo pleno reconhecimento da contribuição dos soldados da borracha para o esforço de guerra dos aliados. Ele viveu a maior parte de sua vida em Porto Velho, onde criou uma família, tornando-se pai de oito filhos, avô, bisavô e tataravô.

Caracterizado como um homem simples e de fala mansa, Romão costumava se apresentar com a frase: “Grande é o Senhor”, mostrando sua fé e serenidade diante das adversidades enfrentadas ao longo da vida.

O recrutamento de José Romão e outros nordestinos ocorreu em um momento crítico da Segunda Guerra Mundial. Com o avanço das forças alemãs em 1941 e a entrada do Japão no conflito em 1942, os países aliados perderam o acesso a 97% das regiões produtoras de borracha na Ásia. O material tornou-se essencial para a indústria bélica, levando o Brasil e os Estados Unidos a firmarem acordos para intensificar a extração de látex na Amazônia, sacrificando a vida de muitos trabalhadores.

Com a morte de José Romão Grande, Porto Velho e o Brasil perdem uma importante testemunha de um dos capítulos mais sombrios e esquecidos da história do país. Sua trajetória continuará a servir como um memorial do sacrifício dos soldados da borracha e da luta por justiça e reconhecimento.

Fonte da imagem: Acervo familiar

Fonte das informações: Rondoniaovivo