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  • 02 Jun, 2026

Rondônia tem 287 empresas com 100+ empregados e 81 mil vínculos; mulheres ganham em média R$2.750 enquanto homens R$3.471, evidenciando desigualdade salarial.

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O Painel do Relatório de Transparência Salarial e o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial foram divulgados nesta segunda-feira (27/4) pelos Ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e recorte em dezembro de 2025.

Em Rondônia havia, em dezembro de 2025, 287 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por cerca de 81 mil vínculos formais. Desse total, 30,8 mil vagas eram ocupadas por mulheres — 22,7 mil por mulheres negras (73,9%) e 8 mil por mulheres não negras (26%). Entre os homens, foram 50,5 mil empregados, sendo 39 mil negros (77,3%) e 11,4 mil não negros (22,6%).

Os rendimentos médios nas empresas com 100 ou mais empregados em Rondônia também apresentam diferenças por gênero e raça: a média das mulheres foi de R$ 2.750,11, ante R$ 3.471,46 dos homens. Mulheres negras receberam em média R$ 2.599,11 e mulheres não negras R$ 3.179,82. Entre os homens, a média foi de R$ 3.286,59 para negros e R$ 4.115,96 para não negros.

No âmbito nacional, o 5º relatório aponta avanço no emprego formal em 2025, com destaque para a ampliação da participação feminina e, em particular, para a contratação de mulheres negras. O número de mulheres pretas e pardas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29% entre 2023 e 2025, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões — mais de 1 milhão de novas contratações. O emprego feminino total nesse segmento subiu 11%, de 7,2 milhões para 8,0 milhões.

Apesar do avanço do emprego, a desigualdade salarial persiste. Em 2025, as mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados, percentual superior aos 20,7% registrados em 2023. No momento da admissão, a defasagem salarial das mulheres foi de 14,3% frente aos homens, também acima do observado em 2023 (13,7%).

O painel traz ainda dados sobre políticas de incentivo às contratações em Rondônia: 34,2% dos estabelecimentos com 100 ou mais empregados informaram ter políticas voltadas à contratação de mulheres. A distribuição por políticas específicas no estado é a seguinte:

  • 3,3% possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica;
  • 10,4% têm políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+;
  • 27,1% adotam políticas de incentivo à contratação de mulheres com deficiência;
  • 27,9% contam com políticas de incentivo à contratação de mulheres negras.

O relatório mostra também expansão do porte empresarial: o número de empresas com 100 ou mais empregados no Brasil cresceu 5,5% entre 2023 e 2025, de 50,7 mil para 53,5 mil, e o emprego nesses estabelecimentos aumentou 7%, de 18 milhões para 19,3 milhões, com maior intensidade nas empresas com mais de dois mil empregados (11,2%) e entre mil e dois mil empregados (8,2%). O salário médio calculado foi de R$ 4.594,89 e o salário contratual mediano de R$ 2.295,36.

Do ponto de vista econômico, a desigualdade salarial tem impacto expressivo: para que a massa de rendimentos das mulheres correspondesse à sua participação no emprego formal (41,4%), seria necessário ampliar em R$ 95,5 bilhões por ano a remuneração feminina, o que elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país.

O estudo também indica variação do gap por porte de empresa: em estabelecimentos com até 250 empregados a remuneração de admissão feminina alcança cerca de 90% da dos homens, enquanto nas empresas de maior porte a distância remuneratória é mais acentuada. Houve avanço na presença de mulheres em cargos de gerência e direção: o número de estabelecimentos com mulheres em cargos de liderança em quantidade suficiente para cálculo de paridade salarial cresceu 12%, chegando a 13,7 mil empresas. Observou-se igualmente aumento nas políticas de promoção, parentalidade e permanência feminina nas empresas.

Entre iniciativas afirmativas, 7% dos estabelecimentos informaram manter políticas de contratação de mulheres vítimas de violência, com maior incidência em Minas Gerais e Espírito Santo; essas medidas são mais adotadas por empresas com mais de mil empregados.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou que a igualdade salarial envolve mais do que números: é preciso considerar a função, as condições de trabalho e o cumprimento de direitos das mulheres. Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a igualdade deve incluir promoção nas carreiras e ascensão profissional, não apenas equiparação salarial imediata. A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, afirmou que o relatório é um instrumento essencial para orientar políticas públicas, ações afirmativas e o avanço da igualdade de gênero e raça.

Fonte das informações: Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério das Mulheres — Painel do Relatório de Transparência Salarial e 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial