Professor preso em Cacoal por atropelar colega que testemunhou
Suspeito, alvo de processo por assédio moral e sexual, foi preso em flagrante após atropelar colega que havia prestado depoimento; Polícia Civil investiga.
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Defesa diz que advogado perdeu R$188,5 mi em 18 meses após apostas de R$6,6 bi; PF investiga uso das operações para lavagem ligada à Operação Sem Desconto.
A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz de Sousa utilizou operações em casas de apostas para lavar dinheiro. Segundo dados apresentados pela defesa em processo contra a casa de apostas, entre janeiro de 2025 e julho de 2026 Tomaz teria realizado apostas que totalizam R$ 6,6 bilhões e acumulado um prejuízo de R$ 188,5 milhões.
O processo, protocolado em agosto de 2026 e mantido sob sigilo até 29 de setembro de 2026, foi movido contra a casa de apostas. Na ação, a defesa pede a restituição de todos os valores enviados à plataforma, alegando que o cliente foi diagnosticado com ludopatia — transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar — e anexando laudo de profissional de saúde mental.
A casa de apostas, em resposta ao processo, contestou a qualificação do montante como "prejuízo", argumentando que o chamado "movimento líquido da conta" corresponde à diferença entre entradas e saídas em uma conta com operações sucessivas e não constitui, por si só, dano patrimonial passível de restituição automática.
Segundo a defesa, no período de 18 meses Tomaz realizou 2.145 depósitos que somaram R$ 325 milhões; com esses recursos, teria efetuado apostas reiteradas até atingir a movimentação bilionária. A defesa afirma ainda que não foi possível obter registros anteriores a 2025, apesar de existirem 55 páginas de depósitos anteriores nesse histórico.
Antes da tabela, um resumo dos principais valores e limites apontados pela defesa:
| Item | Valor informado |
|---|---|
| Período analisado | jan/2025 a jul/2026 |
| Apostas totais | R$ 6,6 bilhões |
| Prejuízo alegado | R$ 188,5 milhões |
| Número de depósitos | 2.145 |
| Total de depósitos | R$ 325 milhões |
| Estímulos/bônus oferecidos | R$ 42,2 milhões |
| Aposta máxima por rodada (informada) | até R$ 500 mil |
| Limite de saque por operação | R$ 100 mil |
A defesa descreve as mesas de cassino online como a principal causa das perdas, alegando que havia rodadas de cerca de 30 segundos e apostas que chegaram a R$ 500 mil por jogada. Relata também que, em abril de 2023, a casa de apostas criou um grupo de atendimento exclusivo em aplicativo de mensagens para o advogado e que os limites máximos de aposta, inicialmente de R$ 125 mil, foram elevar-se progressivamente a pedido dele.
Outro argumento da defesa refere-se à estrutura de limites da plataforma: depósitos de grande valor eram permitidos — segundo a peça, até R$ 500 mil de uma só vez — enquanto os saques estavam limitados a R$ 100 mil por operação. Esse teto teria obrigado fracionamentos e causado bloqueios automáticos. Como exemplo, a defesa aponta 16 saques de R$ 100 mil solicitados em poucos minutos e um bloqueio do sistema ao tentar resgatar o valor restante, situação que, conforme os autos, levou a perdas significativas em uma única noite (R$ 1,9 milhão aplicado, saldo final de R$ 0,29).
Além das alegações sobre o comportamento de aposta e os pedidos formais de bloqueio de conta — que a defesa afirma terem sido feitos em protocolos e atendimentos distintos —, consta nos autos que a casa de apostas teria confirmado o recebimento de uma notificação pré-litigiosa e anunciado revisão interna dos fatos.
Willer Tomaz é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apurou descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Em fase da operação que teve Tomaz como alvo, a investigação buscou um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a PF, poderia ter beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT). A PF descreveu o advogado como parte de uma estrutura de sustentação financeira e patrimonial envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores. Tomaz já havia sido preso em 2017 sob suspeita de tentativa de interferir em investigações da Operação Greenfield, que investigou fraudes em fundos de pensão.
O caso segue sob investigação e tramitação judicial, com as alegações da defesa e da plataforma sendo analisadas nos autos.
Fonte da imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Fonte das informações: processo judicial, defesa do advogado e Polícia Federal
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