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  • 30 Sep, 2026

Defesa diz que advogado perdeu R$188,5 mi em 18 meses após apostas de R$6,6 bi; PF investiga uso das operações para lavagem ligada à Operação Sem Desconto.

A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz de Sousa utilizou operações em casas de apostas para lavar dinheiro. Segundo dados apresentados pela defesa em processo contra a casa de apostas, entre janeiro de 2025 e julho de 2026 Tomaz teria realizado apostas que totalizam R$ 6,6 bilhões e acumulado um prejuízo de R$ 188,5 milhões.

O processo, protocolado em agosto de 2026 e mantido sob sigilo até 29 de setembro de 2026, foi movido contra a casa de apostas. Na ação, a defesa pede a restituição de todos os valores enviados à plataforma, alegando que o cliente foi diagnosticado com ludopatia — transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar — e anexando laudo de profissional de saúde mental.

A casa de apostas, em resposta ao processo, contestou a qualificação do montante como "prejuízo", argumentando que o chamado "movimento líquido da conta" corresponde à diferença entre entradas e saídas em uma conta com operações sucessivas e não constitui, por si só, dano patrimonial passível de restituição automática.

Segundo a defesa, no período de 18 meses Tomaz realizou 2.145 depósitos que somaram R$ 325 milhões; com esses recursos, teria efetuado apostas reiteradas até atingir a movimentação bilionária. A defesa afirma ainda que não foi possível obter registros anteriores a 2025, apesar de existirem 55 páginas de depósitos anteriores nesse histórico.

Antes da tabela, um resumo dos principais valores e limites apontados pela defesa:

ItemValor informado
Período analisadojan/2025 a jul/2026
Apostas totaisR$ 6,6 bilhões
Prejuízo alegadoR$ 188,5 milhões
Número de depósitos2.145
Total de depósitosR$ 325 milhões
Estímulos/bônus oferecidosR$ 42,2 milhões
Aposta máxima por rodada (informada)até R$ 500 mil
Limite de saque por operaçãoR$ 100 mil

A defesa descreve as mesas de cassino online como a principal causa das perdas, alegando que havia rodadas de cerca de 30 segundos e apostas que chegaram a R$ 500 mil por jogada. Relata também que, em abril de 2023, a casa de apostas criou um grupo de atendimento exclusivo em aplicativo de mensagens para o advogado e que os limites máximos de aposta, inicialmente de R$ 125 mil, foram elevar-se progressivamente a pedido dele.

Outro argumento da defesa refere-se à estrutura de limites da plataforma: depósitos de grande valor eram permitidos — segundo a peça, até R$ 500 mil de uma só vez — enquanto os saques estavam limitados a R$ 100 mil por operação. Esse teto teria obrigado fracionamentos e causado bloqueios automáticos. Como exemplo, a defesa aponta 16 saques de R$ 100 mil solicitados em poucos minutos e um bloqueio do sistema ao tentar resgatar o valor restante, situação que, conforme os autos, levou a perdas significativas em uma única noite (R$ 1,9 milhão aplicado, saldo final de R$ 0,29).

Além das alegações sobre o comportamento de aposta e os pedidos formais de bloqueio de conta — que a defesa afirma terem sido feitos em protocolos e atendimentos distintos —, consta nos autos que a casa de apostas teria confirmado o recebimento de uma notificação pré-litigiosa e anunciado revisão interna dos fatos.

Willer Tomaz é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apurou descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Em fase da operação que teve Tomaz como alvo, a investigação buscou um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a PF, poderia ter beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT). A PF descreveu o advogado como parte de uma estrutura de sustentação financeira e patrimonial envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores. Tomaz já havia sido preso em 2017 sob suspeita de tentativa de interferir em investigações da Operação Greenfield, que investigou fraudes em fundos de pensão.

O caso segue sob investigação e tramitação judicial, com as alegações da defesa e da plataforma sendo analisadas nos autos.

Fonte da imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Fonte das informações: processo judicial, defesa do advogado e Polícia Federal

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