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  • 18 Sep, 2026

Renunciou após acusações de plágio; polícia trata o óbito como inesperado, sem indícios de crime, e a família afirma que ele sofria ataques há 3 anos.

O sociólogo britânico Jason Arday, que em 2023 se tornou o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto na sexta-feira (14) em uma residência em Battersea, no sul de Londres. Ele tinha 41 anos.

A polícia informou que o homem foi declarado morto no local e que a ocorrência está sendo tratada como inesperada, sem indícios de circunstâncias suspeitas.

Arday havia renunciado na semana anterior ao cargo de professor de sociologia da educação, após semanas de acusações públicas de plágio e questionamentos sobre declarações feitas por ele a respeito de conquistas esportivas e de arrecadações para instituições de caridade.

O acadêmico negou ter cometido plágio, embora tenha admitido ter cometido alguns erros durante a elaboração da tese de doutorado. Mais de 20 colegas acadêmicos e políticos qualificaram as acusações como uma "campanha difamatória" voltada a prejudicá-lo e, segundo a família, a elevação de ataques direcionados a pessoas negras em posições de destaque.

A família divulgou comunicado afirmando estar em choque com a perda e dizendo que Arday foi alvo de uma campanha contínua de ataques nos últimos três anos. Também declarou que a "campanha de desinformação" teve impacto profundo sobre ele.

Arday destacou-se por sua trajetória pessoal: relatou ter enfrentado dislexia, atraso no desenvolvimento e autismo, ter permanecido sem falar até os 11 anos e só ter aprendido a ler e escrever no fim da adolescência.

As denúncias públicas que motivaram a pressão sobre Arday incluíam alegações de que trechos de sua tese de doutorado, apresentada em 2015, eram idênticos ou muito semelhantes a trabalhos anteriores de outros pesquisadores, e dúvidas sobre a veracidade de afirmações de que teria arrecadado cerca de 5,5 milhões de libras para instituições de caridade por meio de desafios esportivos.

Entre as proezas citadas por Arday estavam a realização de 30 maratonas em 35 dias e a cobertura de cerca de 965 quilômetros em seis dias; esses feitos passaram a ser questionados durante a apuração.

A universidade inicialmente afirmou que algumas das alegações já haviam sido examinadas pela instituição que concedeu o título de doutor a Arday, mas anunciou posteriormente a abertura de uma investigação após receber novas informações sobre qualificações e nomeações honorárias relacionadas ao professor.

Em comunicado, a vice-reitora de Cambridge declarou estar profundamente triste com a morte e informou que a universidade revisará os processos de contratação. Ela também ressaltou que funcionários negros e de outras minorias étnicas são valorizados pela produção acadêmica e pelas contribuições à comunidade científica, e que este caso específico não deve ser usado para questionar o trabalho desses grupos.

Ao renunciar, Arday afirmou que as acusações, as especulações e os comentários públicos afetaram profundamente a ele e às pessoas próximas, e que sua saída não deveria ser interpretada como aceitação das narrativas levantadas a seu respeito.

Após a morte, colegas e apoiadores lamentaram a perda e pediram que a investigação sobre as circunstâncias envolvendo sua contratação e as alegações em torno de seu trabalho siga de forma transparente.

Fonte das informações: g1.globo.com

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