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  • 17 Apr, 2026

A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA gera preocupação no agronegócio de Rondônia, afetando empregos e exportações, especialmente de café e carne.

A recente decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gerou preocupação no agronegócio de Rondônia. Hélio Dias, presidente da Federação de Agricultura de Rondônia (Faperon), expressou apreensão quanto ao impacto dessa alta taxa sobre as exportações locais, especialmente do café e da carne bovina. A medida também pode afetar postos de trabalho nas indústrias exportadoras.

Dias destacou que o aumento do custo de produção preocupa ainda mais, pois o Brasil depende de insumos importados e, com a valorização do dólar, esses preços tendem a subir. Ele defende o diálogo como a melhor forma de reverter a nova tarifa e, caso não haja sucesso, sugere a aplicação da Lei da Reciprocidade. O presidente da Faperon enfatiza a relevância dos Estados Unidos como um mercado fundamental para as exportações brasileiras, principalmente para Rondônia, que vende uma parcela significativa de sua produção ao exterior.

Durante uma entrevista, Hélio Dias classificou a nova tarifa americana como “desleal”, apontando que a taxa anterior era de 10% e o novo valor é excessivo. Ele acredita que o agronegócio de Rondônia sentirá os efeitos da tarifa elevada e da alta do dólar, considerando também a distância até os portos de exportação, o que encarece a logística e prejudica a competitividade dos produtos. O aumento no custo de produção pode inviabilizar as exportações do estado.

Os municípios de Rondônia que dependem de frigoríficos como principais empregadores, como Vilhena, já começam a manifestar preocupações sobre possíveis perdas de vagas de trabalho devido ao tarifaço. Lideranças locais expressaram inquietação e torcem para que o governo brasileiro consiga reverter essa decisão.

A redução nas exportações pode levar à demissão de trabalhadores nas empresas do setor, afetando diretamente a economia de cidades como Rolim de Moura, Ji-Paraná, Porto Velho, Ariquemes, Cacoal, Espigão D’Oeste e Mirante da Serra, onde essas indústrias desempenham um papel crucial. A urgência na resolução dessa questão política demanda cautela, segundo Hélio Dias, que ressalta a necessidade de habilidade nas negociações do governo brasileiro para evitar consequências mais severas.

A tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros terá um impacto profundo no agronegócio nacional, com os segmentos de café, carnes e suco de laranja entre os mais atingidos. O estado de São Paulo é apontado como aquele que enfrentará os maiores prejuízos. O Brasil, que detém 32% do mercado de café nos Estados Unidos, vinha expandindo sua presença no setor de carnes, com um crescimento de 113% nas exportações para o país. Especialistas estimam que uma tonelada de carne brasileira, que atualmente é vendida por cerca de US$ 5.700, poderá ser precificada a US$ 8.600, tornando inviável a continuação das exportações nesse cenário.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o impacto do tarifaço é considerado mais significativo para as economias locais e regionais do que para a economia nacional como um todo. Especialistas apontam que as exportações para o mercado americano representam menos de 2% do PIB brasileiro, e para 2026, a medida pode resultar em uma redução de cerca de 0,1% nesse indicador.

Fonte da imagem: Secom/Gov RO

Fonte das informações: Rondoniaovivo