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  • 18 Apr, 2026

A tartaruga-da-Amazônia, vital para o ecossistema, enfrenta ameaças de queimadas, turismo desordenado e caça, afetando seu ciclo reprodutivo e a biodiversidade local.

A tartaruga-da-Amazônia, um símbolo da biodiversidade e do equilíbrio ecológico na Amazônia, enfrenta desafios crescentes para garantir seu ciclo reprodutivo. Fatores como a alteração do nível do Rio Guaporé, queimadas ilegais, turismo desordenado e caça predatória comprometem a sobrevivência da espécie, exigindo esforços coordenados de instituições, voluntários e comunidades locais para sua preservação.

O ciclo de vida das tartarugas-da-Amazônia inclui um período de incubação que varia de 45 a 80 dias, dependendo de fatores como o tamanho da fêmea e as condições ambientais. A desova ocorre entre agosto e setembro, durante o verão amazônico, momento em que as tartarugas precisam de exposição solar para amadurecer os ovos. Cada fêmea costuma colocar mais de 90 ovos, os quais se desenvolvem sem a presença das mães. A eclosão ocorre geralmente em dezembro, com os filhotes emergindo da areia e se dirigindo à água, onde se tornam vulneráveis a predadores, como urubus e jacarés. Em 2024, a rápida elevação do nível do rio necessitou de operações de salvamento para proteger os filhotes.

A tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) possui grande relevância cultural e ecológica, sendo o maior quelônio de água doce da América do Sul, atingindo até 1 metro de comprimento e pesando mais de 50 kg. Este animal é considerado um símbolo de resistência devido à sua luta contra a exploração e à ameaça de extinção. A preservação da espécie está ligada ao desenvolvimento do turismo ecológico e à promoção de economias comunitárias sustentáveis.

O comportamento e o sucesso reprodutivo das tartarugas fazem delas bioindicadoras da qualidade ambiental da região, refletindo problemas como poluição e mudanças climáticas. Além disso, elas desempenham um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos e terrestres, ajudando na ciclagem de nutrientes.

De acordo com José Soares Neto, conhecido como Zeca Lula e fundador da Associação Comunitária e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale), o nível do Rio Guaporé não tem baixado como nos anos anteriores, reduzindo o espaço adequado para a desova das tartarugas. Ele destacou que a atual situação das praias compromete a reprodução da espécie e a saúde geral do ecossistema local.

Além dos efeitos das queimadas e mudanças climáticas, o turismo desordenado tem um impacto negativo na reprodução das tartarugas. A presença de turistas desavisados e sem orientação nas áreas de desova pode forçar as tartarugas a mudarem de locais de nidificação. Todavia, a caça predatória é considerada uma ameaça ainda mais grave para a sua sobrevivência, já que a captura leva à morte das tartarugas e à extinção da espécie se houver demanda por carne de tartaruga.

Embora o foco esteja nas tartarugas, outras espécies, como gaivotas, também apresentam atrasos reprodutivos. A Ecovale acompanha os ninhos de gaivotas para registrar os impactos nas aves, que enfrentam condições similares.

A 25ª edição do Festival de Praia de Costa Marques, realizada de 25 a 28 de setembro, foi afetada pelas mudanças no nível do rio, resultando em uma redução significativa nas áreas de areia disponíveis. O prefeito Dr. Fabiomar mencionou que essa situação impactou negativamente a participação no evento, que tem relevância cultural e econômica para a região.

Sobre a fiscalização, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se compromete em priorizar a proteção das tartarugas e das áreas ripárias, apesar das limitações. A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) está em parceria com a Ecovale, o Ibama e o Batalhão de Polícia Ambiental para realizar fiscalizações contra a caça de tartarugas e outras atividades prejudiciais ao meio ambiente. O Exército Brasileiro, em sua missão de proteger a Amazônia, também realiza operações para coibir crimes na região. Por outro lado, a Superintendência Estadual de Turismo (Setur) não enviou respostas aos questionamentos sobre a regulação do turismo na área.

Fonte da imagem: Reprodução

Fonte das informações: ALE/RO