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  • 19 Apr, 2026

O vereador Jair Alves de Oliveira, conhecido como "Jair da 29", foi preso durante a Operação Godos por suposta liderança em organização criminosa de invasões de terras na Amazônia.

O vereador Jair Alves de Oliveira, de 46 anos, conhecido como "Jair da 29", foi preso na manhã desta quarta-feira, 12, durante a Operação Godos, iniciada pelo Ministério Público de Rondônia. Ele é considerado um dos líderes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), vista pelo MPRO como a maior e mais violenta organização criminosa de invasão rural na Amazônia Legal.

Jair da 29, que está no exercício de seu cargo como vereador pelo Partido Liberal (PL), registrou uma candidatura que lhe conferiu destaque em sua localidade, tendo declarado R$ 2.900.000,00 em bens no seu registro oficial da Justiça Eleitoral de 2024.

A Operação Godos, que é a maior ação contra crimes agrários em Rondônia, mobilizou mais de 500 agentes públicos em diferentes regiões do estado, resultando na prisão de 20 pessoas nas proximidades da fazenda Norbrasil e do assentamento Thiago dos Santos, em Porto Velho. A investigação visa uma organização criminosa envolvida em invasões de terras, extorsões, crimes ambientais, comércio ilegal de áreas e lavagem de dinheiro.

As investigações, que tiveram início em setembro de 2022, revelaram um grupo altamente estruturado e violento que atua na zona rural de Porto Velho, especialmente na região de Nova Mutum Paraná. Segundo o MPRO, o modus operandi incluía graves ameaças com armas de fogo, obrigando vítimas, principalmente pequenos produtores, a transferir terras por meio de contratos simulados.

Aqueles que resistiam enfrentavam retaliações que incluíam:

  • Ameaças de morte
  • Agressões físicas
  • Destruição de propriedades
  • Furtos e roubos de equipamentos
  • Incêndios e expulsões violentas

As investigações também apontaram que a organização criminosa operava um sistema lucrativo baseado na exploração ilegal de recursos naturais, venda de áreas invadidas e lavagem de dinheiro através de laranjas e empresas de fachada.

Os resultados da apuração indicam:

  • 25 mil hectares de desmatamento ilegal, equivalente a 35 mil campos de futebol
  • Mais de R$ 110 milhões movimentados entre 2020 e 2025
  • Conversão sistemática de lucros ilícitos em patrimônio e ativos financeiros

O MPRO classificou o esquema como um dos mais complexos já identificados em crimes agrários na Amazônia.

A carreira política de Jair da 29, alinhada ao bolsonarismo, traz à tona contradições. Ele, que se apresentava como defensor da propriedade privada e segurança no campo, é acusado de liderar um dos grupos mais violentos de apropriação criminosa de terras do estado.

A Operação Godos permanece em andamento, e novas prisões, bloqueios de bens e buscas podem ocorrer conforme avança a análise do patrimônio do grupo. O MPRO destaca que a ação representa um marco no combate ao crime organizado rural em Rondônia.

Fonte da imagem: Divulgação

Fonte das informações: Idaron