Carregando...

  • 03 Aug, 2026

BMW, Volkswagen, Porsche e Audi planejam mais de 120 mil demissões por pressão da concorrência chinesa, queda de lucros e avanço dos veículos elétricos.

Gigantes da indústria automobilística alemã anunciaram cortes que, somados, ultrapassam 120 mil postos de trabalho, enquanto enfrentam concorrência crescente de fabricantes chinesas, queda nos lucros e transição ao mercado de veículos elétricos.

A BMW informou na quarta-feira (29) que eliminará até 8 mil vagas globalmente — cerca de 5% de seus 154 mil empregados — com impacto maior nas operações na Alemanha. A empresa, proprietária das marcas Mini e Rolls‑Royce, registrou queda nas vendas na China e disse que a competição chinesa reduziu seu poder de precificação no segmento de elétricos. No segundo trimestre, o lucro líquido caiu 35%, para 1,2 bilhão de euros, e a receita recuou de 34 bilhões para 31 bilhões de euros, levando a fabricante a revisar projeções e prever queda significativa nos lucros para o ano.

A Porsche anunciou cortes de cerca de 5 mil postos na Alemanha até 2035 — equivalente a aproximadamente 20% do quadro — afetando principalmente a fábrica de Stuttgart‑Zuffenhausen e o centro de P&D em Weissach. A empresa já havia previsto, no ano anterior, a eliminação de 1,9 mil vagas até 2029 e o fim de 2 mil contratos temporários; também planeja adiar aumentos salariais e vincular bônus mais diretamente aos resultados. A empresa tem quase 41,8 mil funcionários, a maioria na Alemanha.

A Volkswagen dobrou seu programa de redução de pessoal e passou a prever a eliminação de até 100 mil empregos, além do fechamento de quatro fábricas na Alemanha. O anúncio gerou resistência de sindicatos e do estado da Baixa Saxônia, que detém participação acionária com poder de veto. O grupo emprega cerca de 630 mil pessoas (ou 680 mil incluindo joint ventures na China) — um contingente muito maior que o de rivais como a Toyota —, o que tornou os custos trabalhistas um fardo diante da concorrência chinesa e dos altos custos de produção em fábricas alemãs.

A Mercedes‑Benz adotou medidas de contenção nos últimos meses, com acordo para economizar 5 bilhões de euros até 2027, sem demissões compulsórias nas fábricas alemãs. Até março, cerca de 5.500 funcionários de áreas administrativas, de P&D e TI aderiram a programas de desligamento voluntário. A montadora anunciou adiamento de pagamento de bônus para grande parte dos trabalhadores na Alemanha e proposta de ampliar a jornada semanal sem aumento salarial. A empresa também registrou baixas contábeis superiores a 700 milhões de euros devido à forte concorrência na China; no segundo trimestre, o lucro líquido cresceu 13,5% para 1 bilhão de euros, enquanto o lucro operacional da divisão de carros caiu um quarto, para 909 milhões de euros.

A Audi, controlada pela Volkswagen, prevê eliminar até 7,5 mil postos na Alemanha até 2029, por meio de programas voluntários e aposentadorias antecipadas. A controladora incluiu recentemente a fábrica de Neckarsulm entre unidades que poderão ser fechadas em 2030, medida que pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores.

Os cortes e revisões estratégicas ocorrem em um contexto de fatores múltiplos: avanço rápido das montadoras chinesas em veículos elétricos, redução da demanda em mercados-chave como a China, políticas tarifárias internacionais, aumento dos custos energéticos e um modelo de produção alemão com etapas internas mais intensivas em mão de obra. Esses elementos reduziram margens e aceleraram a necessidade de reestruturação nas fabricantes europeias.

A tabela abaixo resume os cortes anunciados e o quadro de funcionários nas principais montadoras citadas.

MontadoraCortes anunciadosQuadro de funcionários / Observações
BMWAté 8.000Cerca de 154.000 empregados; impacto maior na Alemanha; lucro líquido Q2: €1,2 bi
VolkswagenAté 100.000Aproximadamente 630.000 empregados (680.000 incluindo JVs na China); fechamento de 4 fábricas planejado
Porsche≈5.000 (até 2035)Quase 41.800 empregados; já havia previsto 1.900 cortes e fim de 2.000 temporários
AudiAté 7.500 (até 2029)Cortes por programas voluntários; fábrica de Neckarsulm pode fechar, afetando até ~15.000
Mercedes‑BenzDesligamentos voluntários (~5.500 até mar)Sem demissões compulsórias nas fábricas; registro de baixas >€700 mi; lucro líquido Q2: €1 bi

Especialistas e líderes do setor apontam que as mudanças refletem a necessidade de reduzir custos, aumentar eficiência na transição para elétricos e reagir à rápida expansão internacional de fabricantes chineses, que oferecem modelos competitivos de preço e tecnologia.

Fonte das informações: g1.globo.com

Sua experiência neste site será melhorada, permitindo que os cookies Política de Cookie