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  • 17 Jun, 2026

Em Porto Velho, encontro técnico capacitou agricultores sobre sementes nativas e bioinsumos; projeto visa 300 PAIS, 200 mil árvores e benefício a 600+ famílias.

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Porto Velho sediou, entre 26 e 30 de maio, o 2º Encontro de Capacitação Técnica do projeto Produção Sustentável em Comunidades Atingidas da Amazônia. Implementada pela Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES, a iniciativa reuniu equipes técnicas e agricultores de Rondônia, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Amapá.

A programação combinou etapas teóricas e práticas. Nos primeiros dias, especialistas da ONG rondoniense Ação Ecológica Guaporé (Ecoporé) ministraram treinamento sobre manejo de sementes nativas, capacitando participantes em técnicas de coleta, beneficiamento e armazenamento.

A parte prática ocorreu na Reserva Ambiental do Reassentamento Santa Rita, área que abriga famílias remanejadas em função da construção da UHE Santo Antônio. Na reserva, técnicos, militantes e beneficiários realizaram a coleta de sementes de espécies nativas como cumaru, copaíba, babaçu e angelim pedra.

Outra atividade destacada foi a oficina de bioinsumos. Com materiais disponíveis nos quintais — folhas em decomposição, restos de peixe e outros recursos locais — os agricultores aprenderam a formular biofertilizantes e fosfito, visando aumentar a produtividade agrícola e reduzir a dependência de insumos químicos comerciais.

Segundo o MAB, o projeto pretende gerar alternativas de renda baseadas na sociobiodiversidade, mantendo a floresta em pé e garantindo a soberania alimentar das famílias camponesas.

O projeto prevê beneficiar diretamente mais de 600 famílias em 32 comunidades da Amazônia Legal. Entre as metas estruturais estão:

  • implantação de 300 unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS);
  • consolidação de cinco viveiros;
  • plantio de 200 mil árvores nativas.

Durante o encontro, os participantes também debateram os impactos locais de anomalias climáticas, como a seca histórica que atingiu o Rio Madeira em 2024, destacando a vulnerabilidade das comunidades e a necessidade de sistemas de produção mais resilientes.

Os trabalhos combinaram formação técnica e práticas aplicáveis no cotidiano das comunidades, com ênfase em fortalecer a capacidade produtiva e a conservação ambiental nos territórios atingidos.



Fonte da imagem: Klézi Martins / MAB

Fonte das informações: Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI); Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Fundo Amazônia/BNDES