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Cordeiro renunciou após proposta de vender 20% de subsidiária (US$20 bi) que geriria direitos comerciais da Copa; dirigente critica falta de transparência.
Carlos Cordeiro deixou o cargo na presidência da Fifa em 31 de sexta-feira, em protesto contra um projeto do presidente Gianni Infantino que prevê a criação de uma subsidiária para administrar os principais negócios comerciais da entidade e a venda de 20% dessa empresa a investidores privados.
O plano de Infantino prevê avaliar a nova subsidiária em US$ 20 bilhões e concentrar nela os direitos comerciais da Copa do Mundo, dos Mundiais de Clubes masculino e feminino e de outros ativos comerciais. A proposta inclui a oferta de 20% do capital a investidores externos; a Fifa apontou como principal interessado uma empresa de investimentos sediada em Nova York e fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner.
Cordeiro justificou a saída afirmando que não poderia "permanecer em silêncio" diante da possibilidade de venda de participação na Copa do Mundo. Segundo ele, a operação seria "um mau negócio para o futebol", colocaria em risco um dos ativos mais valiosos do esporte e não se justificaria diante da posição financeira da Fifa — que, segundo Cordeiro, conta com bilhões de dólares em caixa, não tem dívidas e arrecadou cerca de US$ 15 bilhões nos últimos quatro anos.
Outro alto dirigente, o diretor de operações Kevin Lamour, também criticou o projeto, dizendo que funcionários foram "enganados" pela falta de transparência na condução da proposta e qualificando a iniciativa como "o projeto de uma única pessoa", em referência a Infantino. Lamour declarou, porém, que permanecerá no cargo, embora esteja disposto a enfrentar consequências por sua posição.
As críticas expostas por Cordeiro e Lamour expõem um conflito interno sobre governança e transparência na Fifa, com debate sobre a conveniência de transferir parte dos direitos comerciais para investidores privados. A proposta ainda precisará passar pelos órgãos internos da entidade para avançar.
Gianni Infantino está à frente da Fifa há mais de dez anos e é apontado como favorito para disputar a reeleição no pleito marcado para o ano seguinte. A entidade definiu 18 de novembro como prazo para o registro de candidaturas.
Fonte das informações: g1.globo.com
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