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  • 03 Aug, 2026

Governo arrecadou R$ 264,4 bi em junho, alta real de 7,7% e recorde histórico; petróleo (R$3,8 bi de exportação) e aumentos tributários puxaram o resultado.

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e outras receitas somou R$ 264,4 bilhões em junho deste ano, informou a Receita Federal. O valor é o maior para meses de junho desde o início da série histórica da Receita, em 1995, e representa um aumento real de 7,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação, corrigida pela inflação, foi de R$ 245,5 bilhões.

Segundo a Receita, o crescimento da arrecadação em junho decorreu, principalmente, do aumento da contribuição previdenciária e dos desempenhos do PIS/Cofins, do IRRF sobre rendimentos do capital, do IRPJ e da CSLL. A instituição também apontou recolhimentos atípicos de IRPJ e CSLL no mês e destaque para a arrecadação do Imposto de Exportação sobre óleo bruto.

O aumento foi influenciado pela elevação do preço do petróleo — atribuída à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã —, que elevou receitas relacionadas ao produto, como royalties e receitas de extração. Além disso, o Executivo instituiu uma taxação extra sobre exportações.

Algumas medidas tributárias adotadas nos últimos anos também contribuíram para a alta da arrecadação. Entre as mudanças estão:

  • maior tributação sobre fundos exclusivos e offshores;
  • alterações na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
  • aumento de tributos sobre combustíveis implementado em 2023 e mantido posteriormente;
  • reoneração gradual da folha de pagamentos;
  • fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
  • início da taxação das apostas (bets);
  • aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
  • elevação da tributação sobre juros sobre capital próprio.

Somente em junho, o imposto de exportação sobre o petróleo arrecadou R$ 3,8 bilhões, e as receitas não administradas — que incluem royalties, concessões, permissões e compensações financeiras pela exploração de recursos naturais, entre outros — tiveram aumento de R$ 1,2 bilhão.

Nos seis primeiros meses do ano, a arrecadação federal totalizou R$ 1,59 trilhão sem correção pela inflação. Em valores corrigidos, o montante alcançou R$ 1,6 trilhão, um crescimento real de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior (R$ 1,51 trilhão). Esse também é o recorde para a arrecadação federal no período janeiro–junho.

Abaixo, os principais números relacionados à arrecadação:

MétricaValor
Arrecadação em junho (este ano)R$ 264,4 bilhões
Arrecadação em junho (ano anterior, corrigida)R$ 245,5 bilhões
Variação real em junho (ano a ano)+7,7%
Imposto de exportação sobre petróleo (junho)R$ 3,8 bilhões
Aumento nas receitas não administradas (junho)R$ 1,2 bilhão
Arrecadação jan–jun (nominal)R$ 1,59 trilhão
Arrecadação jan–jun (corrigida)R$ 1,6 trilhão
Crescimento real jan–jun+6,6%

O governo tem informado que conta com o aumento da arrecadação para tentar cumprir a meta fiscal de 2026. A meta central é um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (cerca de R$ 34,3 bilhões). Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual: a meta será considerada cumprida se o saldo for zero ou se houver superávit de até R$ 68,6 bilhões.

O texto também permite que o governo exclua R$ 57,8 bilhões de despesas desse cálculo — recursos que podem ser usados, por exemplo, para pagar precatórios. Na prática, com essas exclusões, a previsão é de um déficit de cerca de R$ 23,3 bilhões nas contas públicas em 2026, mesmo que o resultado oficial, para efeitos de cumprimento da meta, possa aparecer positivo.

Se as projeções se confirmarem, o governo deverá registrar contas negativas ao longo do terceiro mandato do presidente.

Fonte das informações: Receita Federal

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