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  • 17 Sep, 2026

Estados gastaram R$103,5 bilhões com polícias em 2025; apenas R$19 milhões foram destinados a políticas para egressos (0,001% dos gastos estaduais).

Estados brasileiros destinaram R$ 103,5 bilhões às polícias em 2025, segundo levantamento do centro de pesquisa JUSTA. A maior parte do recurso foi direcionada ao policiamento ostensivo: R$ 60,7 bilhões (58,6%) para as Polícias Militares. As Polícias Civis receberam R$ 22,2 bilhões (21,5%) e as Polícias Técnico-Científicas R$ 2,8 bilhões (2,7%).

O estudo analisou orçamentos das polícias, do sistema prisional e de políticas para pessoas egressas em 26 unidades da federação no ano de 2025; o Acre não forneceu dados. O levantamento foi apresentado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados mostram um “funil de investimentos”: valores maiores na porta de entrada do sistema de justiça criminal e muito menores nas etapas seguintes — sistema prisional e políticas para egressos.

A seguir, os valores totais identificados em 2025.

CategoriaValor (2025)
PolíciasR$ 103,5 bilhões
Sistema prisionalR$ 22,3 bilhões
Políticas exclusivas para egressosR$ 19 milhões

Na proporção calculada pelo estudo, para cada R$ 5.423 destinados às polícias foram gastos R$ 1.169 com o sistema prisional e apenas R$ 1 com políticas para egressos. Em média, essas políticas representaram 0,001% dos gastos estaduais; 19 das 26 unidades analisadas não registraram investimento exclusivo para egressos em 2025.

O levantamento também detalha a distribuição dentro das polícias, com predominância do policiamento ostensivo.

ForçaValor (2025)% do total policial
Polícias MilitaresR$ 60,7 bilhões58,6%
Polícias CivisR$ 22,2 bilhões21,5%
Polícias Técnico-CientíficasR$ 2,8 bilhões2,7%

O aumento da distância entre os investimentos foi acentuado em relação a 2023: em 2024 a razão era de cerca de R$ 4,8 mil destinados às polícias para cada R$ 1 em políticas para egressos; em 2025 essa relação subiu para R$ 5,4 mil, crescimento de 16%.

Estados que mais gastaram com polícias em 2025 — em valores absolutos — foram liderados por São Paulo, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.

PosiçãoEstadoGasto com polícias (R$)
São PauloR$ 18,4 bilhões
Minas GeraisR$ 12,4 bilhões
Rio de JaneiroR$ 11,1 bilhões
BahiaR$ 6,9 bilhões
Rio Grande do SulR$ 4,9 bilhões

Proporcionalmente, Minas Gerais passou a destinar 10,6% do orçamento às polícias (R$ 12,4 bilhões), alta de 42% sobre 2024. No Rio de Janeiro, 10,3% do orçamento foi dedicado às polícias (R$ 11,1 bilhões), valor que superou o investimento estadual em Educação. Em ambos os estados o estudo aponta cenário de desequilíbrio fiscal, com previsão de déficit orçamentário para 2026.

O estudo registra também aumentos expressivos nos gastos com polícias em alguns estados entre 2024 e 2025: Alagoas (+21%), Rio Grande do Norte (+18%) e Rondônia (+15%).

Quanto ao sistema prisional, os estados gastaram R$ 22,3 bilhões em 2025. Do total, aproximadamente R$ 13,7 bilhões — o equivalente a 6 em cada 10 reais — foram direcionados ao encarceramento de pessoas negras, segundo cálculo do JUSTA com base em dados do Sisdepen de dezembro de 2025.

Estados que mais aplicaram recursos no sistema prisional em valores absolutos em 2025:

PosiçãoEstadoGasto no sistema prisional (R$)
São PauloR$ 5,3 bilhões
Santa CatarinaR$ 1,6 bilhão
ParanáR$ 1,5 bilhão
Rio de JaneiroR$ 1,5 bilhão
Rio Grande do SulR$ 1,5 bilhão
Minas GeraisR$ 1,2 bilhão

Proporcionalmente ao orçamento estadual, Espírito Santo e Rondônia lideraram o aporte ao sistema prisional (3,1% cada), seguidos por Santa Catarina (2,9%). Em termos de variação anual, Tocantins teve o maior aumento nas despesas prisionais (89%), seguido por Alagoas (38%), Goiás (23%) e Rondônia (21%).

O JUSTA identificou movimentações que afetam a interpretação dos dados: em Minas Gerais houve redução de 59% nas despesas registradas com o sistema prisional, em parte explicada por mudanças na alocação das despesas de pessoal; em Mato Grosso houve contingenciamento de R$ 98 milhões para alimentação de detentos (73% da verba aprovada) e R$ 4 milhões previstos para saúde prisional não foram aplicados (99% do orçamento).

As políticas exclusivas para pessoas egressas do sistema prisional permaneceram praticamente estáveis em volume nacional: R$ 19 milhões em 2025 contra R$ 18 milhões em 2024. Dos 26 entes analisados, 19 não registraram investimento nesse tipo de política em 2025.

Entre os que registraram desembolso, São Paulo concentrou a maior parte dos recursos identificados para egressos (R$ 13,3 milhões), seguido por Ceará (R$ 3,8 milhões), Mato Grosso (R$ 781 mil) e Bahia (R$ 482 mil). Tocantins e Alagoas deixaram de investir em 2025; Rio Grande do Sul e Santa Catarina passaram a registrar aplicação pela primeira vez, com valores modestos.

O ano de 2025 marcou o início da execução do Plano Pena Justa, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por determinação do Supremo Tribunal Federal, com medidas para controlar entrada e vagas nas prisões e fortalecer a reinserção. Apesar disso, o levantamento não identificou mudança relevante no volume nacional destinado às políticas para egressos.

Para o JUSTA, a priorização de recursos para o policiamento ostensivo, sem contrapartida proporcional em investigação, inteligência e produção de provas, amplia a capacidade de prender sem necessariamente aumentar a eficiência para esclarecer crimes e desarticular organizações criminosas, além de sustentar um modelo de encarceramento em massa. A organização destaca que políticas para egressos são fundamentais para reduzir barreiras ao acesso a documentação, moradia, saúde, educação, trabalho e renda, contribuindo para a reinserção social e para a redução da reincidência.

Fonte da imagem: Divulgação/Polícia Militar

Fonte das informações: levantamento do JUSTA apresentado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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