Carregando...

  • 30 Oct, 2026

FAO diz que 44,8 milhões não pagam dieta saudável; custo subiu a US$4,89/dia em 2025, com maior impacto em domicílios chefiados por mulheres e Norte/Nordeste.

Embora o Brasil tenha saído do Mapa da Fome, 44,8 milhões de pessoas não conseguem pagar por uma alimentação saudável, aponta o relatório "O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo" (Sofi), da FAO, publicado em julho.

Entre 2023 e 2025, 20,3 milhões de brasileiros enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave, número inferior aos 39,7 milhões registrados no triênio anterior (2021–2023). O custo de uma dieta saudável aumentou de 3,97 dólares internacionais por dia em 2021 para 4,89 dólares em 2025.

Os mais afetados são domicílios chefiados por mulheres, especialmente mulheres negras, e populações das regiões Norte e Nordeste. Nas áreas urbanas periféricas, a presença de desertos alimentares atinge cerca de 25 milhões de pessoas, reduzindo o acesso a frutas, verduras e legumes frescos.

Especialistas apontam múltiplas causas para a dificuldade de acesso a alimentos nutritivos: renda insuficiente e instável, valorização salarial que não acompanha a alta dos preços, concentração de investimentos em pesquisas agropecuárias voltadas à exportação, e o maior barateamento dos alimentos ultraprocessados em relação aos frescos.

Silvia Aparecida Zimmermann, da Rede Penssan, relaciona a insegurança alimentar à precariedade do trabalho e à instabilidade de renda de grupos vulneráveis. Elisabetta Recine, presidente do Consea, ressalta a falta de continuidade e de integração dos serviços públicos para acolher pessoas em extrema vulnerabilidade.

Além de fatores socioeconômicos, eventos climáticos extremos (secas e enchentes) e a elevação dos preços de insumos — como combustíveis e fertilizantes importados, impactados por conflitos internacionais — aumentam o custo e a variabilidade dos preços de hortaliças e carnes.

Outro entrave ressaltado por analistas é o direcionamento de recursos de pesquisa e assistência técnica para produtos de exportação, como soja, milho e carne bovina, em detrimento de hortaliças, frutas e alimentos de base como arroz e feijão. Isso reduz investimentos que poderiam baratear e diversificar a oferta local.

Medidas de política pública contribuíram para a melhora dos indicadores: reajustes do salário mínimo acima da inflação e a retomada de programas de segurança alimentar, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O governo federal também vem implantando o Protocolo Brasil Sem Fome para integrar saúde, assistência social e segurança alimentar.

Especialistas alertam, porém, que é fundamental manter e consolidar essas políticas como políticas de Estado, com financiamento contínuo, para evitar retrocessos. Eles recomendam elevar a renda das famílias, apoiar a produção agrícola local e assegurar recursos permanentes aos programas sociais.

Para ampliar o acesso a alimentos saudáveis, propostas citadas incluem estímulo à produção local e à venda direta ao consumidor (feiras livres e pontos de venda), isenção de taxas para pequenos feirantes, e fortalecimento da agricultura familiar, responsável por cerca de 60% da produção de hortaliças.

O relatório da ONU estima o custo da dieta saudável a partir de uma cesta de 11 alimentos que fornecem cerca de 2.330 calorias diárias, considerando os produtos mais baratos que atendem às recomendações nutricionais. A comparação com a renda disponível após despesas básicas mostra quantas famílias ficam impossibilitadas de comprar essa cesta.

A seguir, os principais indicadores extraídos do relatório e da análise de evolução recente.

IndicadorValor / Período
Pessoas que não conseguem pagar por alimentação saudável44,8 milhões (2025)
Pessoas em insegurança alimentar moderada ou grave20,3 milhões (2023–2025)
Pessoas em insegurança alimentar moderada ou grave39,7 milhões (2021–2023)
Custo diário de uma dieta saudávelUS$ 3,97 (2021) → US$ 4,89 (2025)
Pessoas em insegurança alimentar (pico recente)61,3 milhões (2022)
População em situação de subnutrição8,6 milhões (4,1% em 2022) → abaixo de 2,5% em 2025
Pessoas afetadas por desertos alimentares~25 milhões

Especialistas defendem políticas que reduzam o custo dos alimentos frescos, protejam o poder de compra das famílias e aproximem produção e consumo para diminuir circuitos longos de transporte e armazenagem, fatores que elevam preço e reduzem diversidade alimentar.

Sem continuidade nas medidas de renda e sem direcionamento de investimentos à produção de alimentos básicos e hortaliças, o país corre o risco de manter cifras elevadas de população sem acesso a dietas nutritivas, apesar da saída do Mapa da Fome.

Fonte das informações: g1

Leave a comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Sua experiência neste site será melhorada, permitindo que os cookies Política de Cookie