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  • 27 Sep, 2026

Levantamento mostra 14 candidatos com >R$100 milhões em multas do Ibama e ICMBio, majoritariamente ligados ao agronegócio no Pará; parte teve cobrança suspensa.

Quatorze candidatos nas eleições de 2026 acumulam, individualmente, mais de R$ 100 milhões em multas ambientais aplicadas pelo Ibama e pelo ICMBio nos últimos dez anos. A maioria dos autuados está ligada ao agronegócio e concentra infrações na região amazônica, especialmente no Pará.

O levantamento considerou candidatos que somam pelo menos R$ 1 milhão em autuações e cruzou dados públicos de multas por destruição de vegetação nativa, desmatamento, exploração de áreas protegidas e operação de atividades potencialmente poluidoras sem licença.

A tabela abaixo relaciona os 14 candidatos, o cargo ao qual concorrem, o partido, o número de autuações e o total em multas.

NomeCargoPartidoAutuaçõesTotal em multas
Daniel Messac de MoraisDeputado estadual (GO)Mobiliza4R$ 60,7 milhões
Romero Jatobá Cavalcanti NetoDeputado estadual (PE)PSB7R$ 17,5 milhões
José Lopes JuniorDeputado estadual (AC)Republicanos12R$ 8,2 milhões
Ulisses Vieira Coutinho dos SantosDeputado estadual (MA)PL1R$ 3,3 milhões
Mauricio BuffonDeputado federal (TO)PL3R$ 3,1 milhões
Thiago AraújoDeputado estadual (PA)União Brasil2R$ 2,4 milhões
Edson GirotoDeputado federal (MS)PL1R$ 2,0 milhões
Antonio GalvanSenador (MT)Avante2R$ 1,6 milhão
Deodalto José FerreiraDeputado estadual (RJ)PL1R$ 1,5 milhão
Tobias Laurindo1º suplenteDC3R$ 1,5 milhão
José Alexandre Domingues GuimarãesSenador (ES)MDB2R$ 1,5 milhão
Daniel Barbosa SantosGovernador (estado)Podemos1R$ 1,4 milhão
Simão Peixoto LimaDeputado estadualMDB6R$ 1,3 milhão
Wanderley Dias VieiraDeputado estadualPL3R$ 1,0 milhão

Os maiores valores concentram-se na Amazônia. Daniel Messac lidera o ranking, com R$ 60,7 milhões em quatro autuações. A mais alta, de R$ 50 milhões, foi aplicada em outubro de 2020 em São Félix do Xingu (PA) por destruição com fogo de mais de 5 mil hectares dentro da Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu; essa cobrança está com exigibilidade suspensa por decisão judicial.

Messac também responde por autuações em Altamira (PA) de julho de 2019 (R$ 2,1 milhões e R$ 500 mil) e por outra multa de R$ 8 milhões aplicada em novembro de 2021 em São Félix do Xingu. O candidato já foi preso preventivamente em um desdobramento da Operação Poltergeist e disputa sua quinta eleição.

Outro caso de destaque é José Lopes Junior, com 12 autuações que somam R$ 8,2 milhões, aplicadas entre 2018 e 2024 nos municípios de Lábrea e Boca do Acre (AM). Lopes afirma que muitos dos processos são administrativos e judiciais em que é requerido ou requerente, que a região tem histórico de invasões de terras e que há ações em curso para identificar os responsáveis e regularizar áreas conforme o Código Florestal.

Ulisses Vieira dos Santos acumula uma autuação de R$ 3,3 milhões por destruição de mais de 650 hectares em Buriticupu (MA), aplicada em fevereiro de 2024; a exigibilidade dessa multa também está suspensa por decisão judicial. Entre Messac, Ulisses e Tobias Laurindo, as autuações com exigibilidade suspensa somam mais de R$ 54 milhões.

Casos fora da Amazônia aparecem na lista: Edson Giroto foi multado em R$ 2 milhões por dano a mais de 401 hectares no Pantanal (Corumbá, MS) em abril de 2019. Em Mato Grosso, Antonio Galvan soma autuações de R$ 1,5 milhão por operar aeródromo potencialmente poluidor sem licença e R$ 50,5 mil por armazenar combustível sem autorização, ambas de 2022.

Outros candidatos destacados incluem Maurício Buffon (R$ 3,1 milhões, com autuações no bioma Amazônia e em municípios de Tocantins), Thiago Araújo (R$ 2,4 milhões por danos em reserva extrativista no Pará) e Deodalto José Ferreira, cuja multa mais recente do levantamento, de agosto de 2026, refere-se a danos em Rondon do Pará, embora seja candidato no Rio de Janeiro.

O perfil predominante entre os multados é de homens ligados ao agronegócio em municípios do chamado arco do desmatamento. Sete candidatos concentram infrações no Pará, em locais como Altamira e São Félix do Xingu, áreas com histórico de desmatamento ilegal.

Do ponto de vista jurídico-eleitoral, ter multa administrativa, mesmo milionária, não torna automaticamente um candidato inelegível. A inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa exige condenação criminal definitiva (com trânsito em julgado) ou decisão de órgão colegiado por crime previsto em lei, e não apenas a existência de multas administrativas.

Representantes de organizações ambientais ressaltam, porém, que o eleitor deve considerar o histórico dos candidatos na agenda socioambiental ao avaliar candidaturas, especialmente no caso de concorrentes à reeleição, membros de bancadas ou partidos com atuação que tenha enfraquecido mecanismos de fiscalização e proteção.

Alguns candidatos não responderam aos pedidos de esclarecimento; o espaço permanece aberto para manifestações e para atualização de situações processuais que possam alterar valores ou exigibilidade das multas.

Fonte das informações: ASCEMA Nacional; dados do Ibama e do ICMBio

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