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  • 25 Sep, 2026

NetLab diz que biblioteca de anúncios do Kwai divulga faixas amplas de gastos e alcance, não revela público atingido e não oferece API para extração de dados.

Um estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluído em 16 de setembro de 2026, indica que o Kwai não cumpre integralmente as exigências de transparência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para publicidade político-eleitoral, o que dificulta a fiscalização dos anúncios pagos na plataforma.

Os pesquisadores não afirmam que anúncios irregulares estão circulando, mas apontam que a falta de informações precisas impede verificar de forma abrangente se há irregularidades. A avaliação foi feita sobre a Biblioteca de Anúncios Políticos ou Eleitorais do Kwai, com base em 11 critérios derivados das normas do TSE.

Segundo o NetLab, a plataforma apresenta dados agrupados em faixas amplas, não divulga o perfil do público que efetivamente recebeu as peças, limita ferramentas de busca e não disponibiliza uma API para extração automática de dados, recursos exigidos pela regulamentação eleitoral para garantir transparência e permitir auditoria.

A diretora do NetLab, Marie Santini, afirmou que essas limitações tornam difícil identificar publicidade irregular e fiscalizar gastos de campanhas. Santini defende a suspensão dos anúncios políticos no Kwai até que a empresa adeque suas ferramentas às normas do TSE.

Em resposta aos pesquisadores, o Kwai declarou que seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi revisado e aprovado pelo TSE e que as ferramentas foram desenvolvidas para atender à regulamentação. A empresa informou ainda que o acesso à ferramenta para extração automática de dados é possível mediante solicitação pelo Portal de Solicitação de Aplicação da Lei e que eventuais falhas técnicas serão corrigidas.

O TSE informou que está avaliando o conteúdo do relatório e que tomará providências nos termos da resolução que regula a propaganda eleitoral.

O levantamento detalha cinco pontos em que a biblioteca do Kwai deixou de atender plenamente os critérios do tribunal:

  • Gastos: divulgação por intervalos de valor em vez do montante exato desembolsado por anúncio.
  • Alcance: apresentação de faixas amplas de exibições, sem precisão sobre o número de pessoas atingidas.
  • Audiência: ausência de dados sobre as características do público que efetivamente recebeu a publicidade.
  • Busca: impossibilidade de pesquisar anúncios por palavras‑chave ou termos de interesse.
  • Coleta: falta de uma API para extrair automaticamente informações em escala.

O NetLab exemplifica que, nas faixas apresentadas pelo Kwai, anúncios com valores muito diferentes podem aparecer na mesma categoria (por exemplo, R$ 10 e R$ 500 em um mesmo intervalo), e impressões muito discrepantes podem ser classificadas igualmente (como “menos de 5 milhões” de impressões), o que atrapalha auditorias e comparações de gastos.

Além disso, a biblioteca torna visíveis apenas os conteúdos que a própria plataforma classifica como político‑eleitorais, limitando a detecção de peças que deveriam estar nessa categoria mas foram rotuladas de outra forma.

A resolução do TSE também exige informações sobre o direcionamento e a proteção contra discriminação ilícita no uso de dados pessoais na propaganda eleitoral. O estudo aponta que, embora o Kwai permita que anunciantes segmentem por idade, gênero, região e interesses, a biblioteca não mostra o perfil real da audiência alcançada nem comprova o uso ou não de dados sensíveis.

Os pesquisadores informaram que vão apresentar o levantamento ao TSE e que farão análises semelhantes em outras plataformas que oferecem anúncios. O Kwai participou, em 16 de julho, de uma reunião com o presidente do TSE para firmar compromissos de combate à desinformação e mantém colaboração com o tribunal para disponibilizar orientações oficiais sobre o pleito de 2026 dentro da plataforma.

Apesar de a Política Eleitoral do Kwai, atualizada em junho de 2026, prever identificação de conteúdo patrocinado, rotulagem de uso de inteligência artificial e inclusão de anúncios e anunciantes na biblioteca pública, o estudo conclui que esses compromissos não se traduzem integralmente nos mecanismos necessários para garantir a transparência exigida pela legislação eleitoral.

Fonte das informações: G1

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