Carregando...

  • 01 Aug, 2026

A FCC diz que esses robôs põem em risco a cibersegurança e a infraestrutura; a proibição atinge fabricantes chineses e pode elevar tensões com Pequim.

Os Estados Unidos anunciaram a proibição da importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, medida divulgada pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) nesta terça-feira (28/07). A restrição visa a mitigar riscos à segurança nacional e à cibersegurança atribuídos a dispositivos robóticos avançados produzidos fora do país.

A decisão segue conclusões de uma força-tarefa da Casa Branca, que apontou que robôs importados podem criar vulnerabilidades em infraestrutura crítica e possibilitar acesso não autorizado a dados ou controle remoto de equipamentos essenciais.

A FCC definiu os equipamentos alcançados pela proibição como dispositivos móveis com peso superior a dois quilos que utilizam sensores, conectividade de rede e software para navegar autonomamente, inclusive com capacidade de evitar obstáculos. A agência também incluiu na lista inversores de energia fabricados no exterior, usados para converter a corrente contínua de painéis solares em corrente alternada da rede.

O mercado de robôs humanoides e quadrúpedes — conhecidos como "cães-robôs" — é apontado como um dos principais setores de crescimento tecnológico global, com competição entre empresas americanas e chinesas. Analistas destacam, porém, a liderança chinesa na produção e na redução de custos.

A seguir, dados citados pelas autoridades e por consultorias sobre participação de mercado, projeções e volumes de exportação relacionados ao setor:

IndicadorValorFonte
Participação estimada de fabricantes chineses no mercado global85%Barclays
Projeção do mercado chinês até 2030US$ 15 bilhõesMorgan Stanley
Vendas externas em 2025 (Unitree + AGIBOT)10.000 robôsOmdia
Exportações dos EUA em robôs humanoides em 2025Cento(s) de unidadesOmdia

Especialistas citados na cobertura observam que fabricantes chineses aceleraram produção e reduziram custos mais rápido que concorrentes internacionais, fator que fortalece sua posição global. Analistas afirmam também que, apesar da restrição americana, a escala industrial da China e o acesso a outros mercados podem atenuar os efeitos da medida sobre o avanço do setor chinês.

No campo comercial, empresas americanas já usam humanoides em linhas de produção — a Figure AI é um exemplo — e a Tesla planeja iniciar a fabricação do robô Optimus ainda neste ano. Mesmo assim, as exportações dos EUA permanecem muito inferiores às chinesas.

O presidente da FCC, Brendan Carr, disse que a medida busca também proteger cadeias de suprimento consideradas estratégicas. A agência argumenta que equipamentos conectados à internet, incluindo inversores solares, podem ser desativados remotamente ou utilizados para coleta de dados, apresentando riscos semelhantes aos atribuídos aos robôs.

Especialistas em política tecnológica alertam que a proibição tende a aumentar as tensões entre Washington e Pequim, sobretudo antes do encontro previsto entre os presidentes dos dois países em setembro. Nos últimos anos, os EUA já haviam proibido a entrada de drones chineses e adotado outras restrições por preocupações com espionagem e vigilância. O Pentágono também incluiu grandes empresas chinesas de tecnologia em listas que apontam vínculos com forças armadas chinesas, alegação rebatida por Pequim.

Atualmente, a maior parte dos robôs humanoides é empregada em ambientes industriais controlados, como fábricas de automóveis e centros de armazenamento. A nova proibição não atinge robôs industriais estacionários, mas a definição adotada pela FCC pode, dependendo da interpretação, abranger dispositivos móveis domésticos mais avançados.

Fonte da imagem: VCG/IMAGO

Fonte das informações: g1.globo.com

Sua experiência neste site será melhorada, permitindo que os cookies Política de Cookie