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  • 01 Aug, 2026

Com 5 meses de guerra, encontro na Casa Branca abordou custo de US$37,5 bi, queda dos estoques de munições e pedidos urgentes de reforço à indústria bélica

No dia em que a guerra com o Irã completa cinco meses, o presidente dos Estados Unidos recebeu o primeiro‑ministro de Israel na Casa Branca, em um momento em que Washington reforça a pressão diplomática e revisa a capacidade logística das Forças Armadas.

Na mesma semana, em evento com executivos da indústria de defesa, o presidente pediu aumento da produção de armamentos, afirmando que os EUA dispõem das "armas de melhor qualidade do mundo" e que é necessário acelerar a fabricação. O governo descreveu a cúpula como parte de uma estratégia para revitalizar a indústria nacional e fortalecer a capacidade de combate das forças americanas.

As operações militares concentradas no início do conflito, reunidas sob a operação denominada Epic Fury, exigiram grande volume de munições e sistemas sofisticados. O governo americano calcula que a guerra já custou cerca de US$ 37,5 bilhões, com a maior parte dos gastos direcionada à compra de munições. Até o início do cessar‑fogo em 8 de abril, forças dos EUA haviam atingido mais de 13 mil alvos e interceptado mais de 1,7 mil drones e mísseis lançados contra posições americanas.

Com a suspensão temporária dos ataques para facilitar negociações, autoridades e conselheiros militares avaliaram o impacto da campanha sobre os estoques. Enquanto o presidente negou escassez ao afirmar que os EUA têm "muito mais munições do que qualquer outro país", líderes do Departamento de Guerra admitiram necessidade de recursos adicionais: o departamento solicitou, perante a comissão orçamentária do Senado, um reforço de aproximadamente US$ 87 bilhões para suprir "carências críticas", incluindo reposição de equipamentos.

Dados públicos compilados por centro de pesquisa com sede em Washington indicam redução significativa dos estoques, em níveis que podem levar anos para serem repostos. Especialistas apontam que a fabricação de mísseis complexos pode levar de um a cinco anos por unidade e que não há meios fáceis para acelerar substancialmente esse processo.

Abaixo, estimativas públicas sobre o uso e custos dos principais sistemas empregados no conflito e o impacto sobre os estoques.

SistemaEstimativa de disparos usadosEstoque pré‑guerra (estimado)Custo por unidade (US$)
Tomahawk (míssil de ataque terrestre)Mais de 1.000— (reposição prevista apenas ao longo dos próximos anos)2.600.000
Patriot (míssil interceptador)Até 1.430Cerca de 2.3304.000.000
Thaad (sistema de defesa de alta altitude)Entre 190 e 290Cerca de 360Não divulgado

Além desses sistemas, os Estados Unidos registraram interceptações em larga escala de drones e mísseis lançados pelo Irã. Os interceptores empregados em muitos casos são muito mais caros do que os veículos aéreos não tripulados abatidos, o que estimula esforços para desenvolver soluções de defesa mais baratas e produzidas em maior escala.

Especialistas militares alertam para uma "janela de vulnerabilidade": com estoques reduzidos das munições consideradas prioritárias, as forças americanas podem ficar menos preparadas para enfrentar um conflito amplo em outra região, como o Pacífico. Essa preocupação coincide com o debate sobre a possibilidade de uma ação chinesa contra Taiwan em um horizonte de médio prazo, tema central no planejamento estratégico dos EUA para a região.

Nem todos os analistas veem apenas desvantagens no emprego intensivo de armamentos. Para alguns, o uso em combate demonstra a capacidade e a disposição dos EUA de empregar sua tecnologia, o que também exerce efeito dissuasor sobre potenciais adversários.

O esgotamento de estoques americanos já tinha repercussões em outros espaços de segurança: no caso da Ucrânia, autoridades reclamaram limitações no fornecimento de sistemas de defesa aérea. A taxa de produção americana foi citada como insuficiente para repor rapidamente interceptores e mísseis, e relatos indicaram que centenas de mísseis foram usados nos primeiros dias de operações em diferentes teatros.

Como resposta, houve propostas para ampliar a produção em parceiros e aliados, inclusive oferecendo a terceiros a possibilidade de fabricar certos sistemas em seu território, como forma de aliviar a pressão sobre as linhas logísticas americanas.

Pesquisadores e ex‑autoridades do Departamento de Guerra defendem também investimentos em munições e interceptadores de baixo custo, descartáveis, para reduzir o descompasso entre o valor dos interceptores e o das ameaças que enfrentam, como os drones.

Por ora, a Casa Branca sustenta que as Forças Armadas dispõem de estoques suficientes para cumprir os objetivos estratégicos estabelecidos e que a demonstração de força durante a operação deixou claro o custo de confrontar os EUA. O debate agora é sobre quanto e com que rapidez será necessário investir para restaurar os estoques e adaptar a produção às exigências de conflitos modernos.

Fonte das informações: g1.globo.com

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