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  • 19 Sep, 2026

PF pediu inquérito no STF para apurar se Lulinha favoreceu um lobista em tentativas de contratos de canabidiol com o Ministério da Saúde, envolvendo negócios.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de inquérito para apurar suspeitas envolvendo Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como "Lulinha". A investigação foi solicitada pela Polícia Federal para verificar possível prática dos crimes de tráfico de influência e corrupção relacionados a negócios com o Ministério da Saúde.

Segundo a PF, a apuração mira a atuação de Lulinha para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em contratos e tentativas de contratos com a pasta. Careca é apontado nas investigações da Operação Sem Desconto como um dos responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões.

André Mendonça foi sorteado para relatar o inquérito no STF.

A Polícia Federal também investiga supostos negócios entre Lulinha e Careca na área de cannabis medicinal. Segundo a apuração, o lobista tentou, em 2024 e 2025, fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde para a venda de medicamentos à base de canabidiol, mas o acordo não foi concretizado.

Há suspeita de que Lulinha tenha intermediado a agenda de Careca na pasta para viabilizar essas tratativas. Careca havia contratado a empresária Roberta Luchsinger — amiga de Lulinha — para prospectar negócios de cannabis medicinal junto ao governo em nome da empresa World Cannabis, que pertenceria ao lobista.

A defesa de Roberta nega irregularidades no contrato com Careca e afirma que não repassou qualquer valor a Lulinha.

Em início de 2025, Careca foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, o "Berger", então secretário-executivo da pasta. Após deixar o ministério, Berger assumiu o cargo de chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República. Em nota, Berger afirmou que a agenda ocorreu em conformidade com suas atribuições e que não houve interesse do ministério em adquirir produtos ou serviços da empresa, o que, segundo ele, afasta tese de influência política.

Quebra de sigilo bancário relacionada ao caso indicou que Lulinha realizou cerca de 1,5 mil transações e movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026, informação que integra a base de apuração das autoridades.

O que diz a defesa

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que a PF pediu a abertura do novo inquérito na área da saúde porque não encontrou irregularidades na investigação sobre fraudes no INSS. Segundo o defensor, "Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta". Carvalho classificou a iniciativa como "pesca probatória" e afirmou que a busca por indícios em outras frentes é gravosa para o investigado.

Fonte das informações: g1.globo.com

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