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  • 18 Sep, 2026

Ministro israelense defendeu execuções seletivas de 30 a 40 pessoas por noite em Gaza e propôs expulsão em massa e retomada de assentamentos.

Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, afirmou defender a morte de "30 a 40" pessoas por noite na Faixa de Gaza durante entrevista ao podcast do ex-refém do Hamas Rom Braslavski, no último domingo (17).

Ao criticar a redução dos ataques israelenses na região, o ministro disse discordar do primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu e defendeu "execuções seletivas em Gaza, eliminando de 30 a 40 pessoas todas as noites", incluindo pessoas que, segundo ele, "não merecem viver".

Declarações semelhantes de Ben‑Gvir e de outros integrantes do governo já geraram críticas internacionais e foram citadas perante órgãos da ONU como possíveis indícios de intenção genocida; Israel nega ter cometido genocídio em Gaza.

O episódio recebeu pouca cobertura na imprensa local e ocorre em meio à campanha para as eleições marcadas para 27 de outubro.

Ben‑Gvir é um dos principais nomes da extrema‑direita israelense e ganhou mais apoio após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, quando, segundo Israel, cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram sequestradas. Reféns libertados relataram fome prolongada, abusos físicos e psicológicos e, em alguns casos, violência sexual.

Embora não tenha comando sobre as Forças Armadas e não possa ordenar ataques, o ministro ocupa um cargo com grande influência: responde pela polícia e pelo sistema prisional de Israel, onde estão detidos milhares de palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.

Ben‑Gvir já afirmou ter reduzido a quantidade de comida oferecida a presos palestinos. Em 2025, a mais alta corte de Israel decidiu que o serviço penitenciário, sob sua gestão, privou detentos palestinos de uma alimentação mínima adequada.

Até recentemente, Israel realizava bombardeios quase diários em Gaza. Segundo o Ministério da Saúde do território palestino, mais de 1.250 pessoas morreram desde a entrada em vigor de uma trégua anunciada em outubro.

As Forças Armadas israelenses afirmam que as operações têm como alvo integrantes do Hamas. Reportagens indicam que a autorização para novos bombardeios passou a depender apenas do chefe do Estado‑Maior, medida que desagradou parlamentares de direita, entre eles Ben‑Gvir.

Na mesma entrevista, o ministro defendeu a saída em massa de palestinos da Faixa de Gaza e a retomada de assentamentos israelenses no território. Especialistas em direito internacional alertam que propostas desse tipo podem ser interpretadas como limpeza étnica.

Ben‑Gvir declarou ver "toda Gaza como nossa" e afirmou apoiar assentamentos "em toda Gaza", incentivando a emigração em massa dos palestinos, além de dizer que, em relação a "terroristas", a solução seria matá‑los "um por um".

Uma proposta recente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê que o Hamas entregue gradualmente suas armas enquanto Israel interrompe ataques e retira tropas; o grupo aceitou o plano, mas condicionou a entrega do armamento mais pesado à criação de um Estado palestino, pedido rejeitado pelo governo israelense.

O primeiro‑ministro Netanyahu afirma que Israel não deixará posições ocupadas em Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado. Essa postura mantém paralisadas etapas previstas para um eventual cessar‑fogo, como o envio de forças internacionais e a reconstrução da Faixa de Gaza, amplamente destruída pela guerra.

Fonte das informações: g1.globo.com

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