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  • 17 Jun, 2026

Decreto que cria unidade de conservação no Rio Tanaru provoca reação de produtores no Cone Sul de Rondônia e deve acirrar debate político na região.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru por meio do Decreto nº 13.016, publicado nesta quarta‑feira (10). A nova unidade de conservação federal abrange cerca de 7.638 hectares distribuídos entre os municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste, no Cone Sul de Rondônia.

O governo federal apresenta a medida como uma iniciativa voltada à preservação ambiental, à proteção da biodiversidade e à valorização da memória dos povos indígenas da região. O decreto estabelece a aplicação do regime de proteção próprio a unidades de conservação federais, com regras para uso e manejo do território.

Produtores rurais e representantes do agronegócio reagiram com preocupação, citando a possibilidade de desapropriações e incertezas sobre restrições futuras ao uso de áreas produtivas. Nos bastidores do setor, a avaliação predominante é a de que a medida representa mais uma intervenção federal em uma região fortemente dependente da agropecuária.

O Cone Sul de Rondônia é uma das áreas mais produtivas do estado, onde a pecuária de corte, a produção leiteira e a agricultura têm papel central na geração de emprego, renda e arrecadação. Por isso, integrantes do setor afirmam que a criação de áreas protegidas deveria ser precedida por diálogo mais amplo com proprietários rurais, sindicatos e entidades do agronegócio.

A reação do setor também já ganhou contornos políticos. Lideranças regionais avaliam que o decreto pode aumentar a rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre produtores locais, segmento historicamente sensível a pautas sobre ampliação de áreas protegidas, regularização fundiária e políticas ambientais consideradas restritivas à produção.

Nos municípios afetados, o tema passou a ser frequente em reuniões de produtores, associações rurais e outras entidades representativas, que apontam que decisões desse tipo reforçam discursos em favor de maior segurança jurídica para propriedades e de menor intervenção federal em áreas produtivas.

Analistas esperam que o debate ultrapasse as fronteiras de Rondônia e integre discussões nacionais sobre preservação ambiental, direitos indígenas, regularização fundiária e desenvolvimento econômico — assuntos que dividem opiniões entre diferentes correntes políticas.

A expectativa é que a criação do parque seja tema nas campanhas eleitorais, inclusive nas eleições de 2026, sendo utilizada tanto por defensores da conservação quanto por candidatos alinhados às demandas do agronegócio, especialmente em estados da Amazônia Legal onde ocupação territorial e produção agropecuária têm grande impacto social e econômico.

Enquanto o governo destaca a importância histórica e ambiental da nova unidade de conservação, produtores e lideranças do setor produtivo prometem acompanhar de perto os próximos passos da implementação do parque, que já se tornou um dos assuntos mais discutidos no Cone Sul de Rondônia.

Fonte da imagem: Foto: Reprodução

Fonte das informações: Rondoniaovivo