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Rejeitos do garimpo Bom Futuro em Ariquemes contêm terras raras e minerais estratégicos; extração exige estudos, investimentos e controle ambiental.
Rondônia pode ganhar destaque na corrida global por minerais estratégicos com o aproveitamento de rejeitos antigos de mineração no Garimpo Bom Futuro, em Ariquemes.
A demanda por terras raras e outros minerais estratégicos tem crescido devido à expansão de veículos elétricos, eletrônicos, energias renováveis, automação e tecnologias de defesa. Esses elementos são essenciais para ímãs permanentes usados em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, geração de energia e aplicações industriais e militares.
No Garimpo Bom Futuro estão acumulados, segundo estudos, cerca de 70 milhões de toneladas de rejeitos produzidos ao longo de aproximadamente 25 anos de exploração de estanho. Pesquisas realizadas pela empresa Canada Rare Earth identificaram a presença de cassiterita, ilmenita, zircônio e terras raras, e a companhia obteve o direito de ampliar sua participação no projeto para 52% e assumir a operação.
O interesse por essas ocorrências aumentou porque a cadeia produtiva das terras raras é concentrada globalmente: em 2024, a Agência Internacional de Energia (IEA) apontou que a China respondeu por cerca de 60% da produção mundial de terras raras magnéticas, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados.
Transformar rejeitos em fonte de minerais representa potencial vantagem econômica e ambiental, desde que existam tecnologias capazes de separar e recuperar os diferentes minerais de forma economicamente viável e com controle dos impactos ambientais. O projeto do Bom Futuro busca exatamente esse reaproveitamento de materiais descartados quando a mineração visava prioritariamente a extração de estanho.
Entretanto, há diferença entre potencial geológico e produção industrial: a existência de terras raras não garante, por si só, uma indústria estabelecida. São necessários levantamentos detalhados, testes de processamento, investimentos, licenciamento ambiental e comprovação de viabilidade econômica antes da operação em escala comercial.
Rondônia já possui histórico e infraestrutura mineral. A extração de cassiterita (para produção de estanho) marcou a economia local, e o Estado ainda apresenta ocorrências e produção de ouro, nióbio, tantalita, columbita, ferro, manganês e materiais para construção. O calcário também é relevante como insumo agrícola; a Companhia de Mineração de Rondônia registrou produção superior a 180 mil toneladas em um único ano, distribuídas a produtores dos 52 municípios.

A mineração também deixou registros na Floresta Nacional do Jamari, em Itapuã do Oeste, onde houve extração de cassiterita e estudos apontam impactos sobre solos e áreas mineradas. Esse histórico ilustra a dimensão econômica da atividade e a necessidade de planejamento ambiental, fiscalização e recuperação de áreas afetadas.
Além da extração, a principal oportunidade para Rondônia está em não repetir o modelo de exportação apenas de matéria-prima. O Brasil iniciou, em 2026, estudos para a elaboração de uma Estratégia Nacional de Terras Raras, com o objetivo de desenvolver uma cadeia integrada às políticas industriais, ambientais, de inovação e de transição energética.
Para capturar maior valor local, o Estado precisaria promover beneficiamento e processamento, atrair investimentos para a cadeia completa, formar mão de obra especializada e criar mecanismos legais e fiscais que incentivem a instalação de empresas com capacidade de agregar valor aos minerais.
Dados e indicadores ajudam a dimensionar o cenário atual e os desafios para transformar potencial em produção e valor agregado no Estado.
| Item | Valor |
|---|---|
| Rejeitos acumulados no Bom Futuro | ~70 milhões de toneladas |
| Período de acúmulo | ~25 anos |
| Participação da Canada Rare Earth | Direito de ampliar para 52% e assumir operação |
| Participação da China na cadeia (2024, IEA) | ~60% produção; 91% refino; 94% fabricação de ímãs |
| Exportações totais de Rondônia (marca histórica) | US$ 3 bilhões |
| Exportações de minérios de estanho (1º quadrimestre de 2026) | US$ 15,11 milhões |
| Produção de calcário registrada | Mais de 180.000 toneladas em um ano |
Atuar com responsabilidade ambiental e planejamento é crucial: a exploração pode gerar empregos, tributos e divisas, mas sem beneficiamento local a maior parte do valor agregado segue para outras unidades da federação. O desafio para Rondônia é combinar estudos geológicos e tecnológicos, investimentos privados e políticas públicas que permitam transformar recursos minerais em desenvolvimento sustentável e ocupação econômica local.
Fonte das informações: rondoniaovivo.com
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