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  • 17 Sep, 2026

Facções brasileiras expandem operação na Bolívia, aumentando homicídios em cidades fronteiriças — 774 entre jan-set/2025 — e motivando plano de reforço policial

O aumento de crimes tem sido atribuído à facilidade de entrada de criminosos pelos pontos fluviais e à limitada fiscalização migratória nas margens do rio Mamoré, que liga Guayaramerín à cidade brasileira de Guajará-Mirim.

Moradores relatam incidentes recentes de alta gravidade: uma série de homicídios nas últimas semanas incluiu uma chacina familiar, corpos decapitados e a morte de um policial. Testemunhas locais descrevem um episódio em que uma vítima recebeu dezenas de disparos em plena praça central.

Segundo autoridades bolivianas, as facções brasileiras disputam corredores usados para o tráfico de cocaína com destino ao Atlântico, transformando pontos de fronteira em refúgios e bases de operação.

Peritos em crime organizado afirmam que esse padrão é recente na Bolívia, que vinha tendo níveis de violência considerados baixos até poucos anos atrás. Especialistas alertam que a chamada "pax mafiosa" entre grupos se rompeu, intensificando confrontos.

Além dos homicídios, cresce a sensação de insegurança com aumento de assaltos à mão armada, sequestros e outros atos violentos. Vítimas e comerciantes relatam ataques e assaltos atribuídos a indivíduos de ambos os lados da fronteira.

Entre janeiro e setembro de 2025, as autoridades registraram um salto nos homicídios em todo o país em comparação com o mesmo período do ano anterior.

PeríodoHomicídios
Jan–Set 2024325
Jan–Set 2025774

Autoridades atribuem parte da escalada à presença de grupos estrangeiros e à facilidade de movimentação em portos e travessias informais, onde, segundo moradores, o controle migratório é mínimo.

O presidente Rodrigo Paz lançou um plano de segurança para reforçar a presença policial nas fronteiras, intensificar o intercâmbio de informações de inteligência com o Brasil e prender criminosos foragidos dos dois lados. Desde o início de sua gestão, em novembro, o governo informou ter capturado 17 líderes de quadrilhas com atuação internacional.

Especialistas apontam que aumento de efetivo nas fronteiras pode reduzir incidentes, mas defendem que o enfrentamento do crime organizado também deve incidir sobre sua estrutura econômica, incluindo rastreamento de lavagem de dinheiro e identificação de beneficiários.

Como parte de projetos de infraestrutura, o governo anunciou a construção de uma ponte ligando Guayaramerín ao Brasil, integrada a um corredor viário até o Pacífico, no Peru. A obra é vista por comerciantes como oportunidade para dinamizar a economia local, mas gera preocupação sobre a possibilidade de facilitar a mobilidade de grupos criminosos.

Moradores e comerciantes locais dizem que esperam medidas de segurança concomitantes às obras e aumento de efetivos policiais para mitigar riscos. O chefe de polícia da região também reconhece que a abertura de novas rotas exigirá reforço nas forças de segurança.

Fonte das informações: Governo da Bolívia e autoridades locais

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