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  • 17 Sep, 2026

Preso na Operação Oraculum, Maquita controlava garimpo com motobombas, escavadeiras e rádio pirata na TI Roosevelt e Parque Aripuanã; MPF pede R$200 mil.

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Valmir Goes de Jesus, conhecido como "Maquita", por coordenar um garimpo ilegal de diamantes com cerca de 15 trabalhadores e infraestrutura pesada na Terra Indígena Roosevelt e no Parque Aripuanã, em Rondônia. A denúncia foi aceita pela Justiça Federal e tramita na Vara Federal Cível e Criminal de Vilhena (RO).

Homem é denunciado por chefiar garimpo ilegal de diamante em RO

Homem é denunciado por chefiar garimpo ilegal de diamante em RO — vídeo publicado no Globoplay.

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A Terra Indígena Roosevelt tem expansão superior a 230 hectares e se estende entre Rondônia e Mato Grosso; segundo organizações socioambientais, a área abriga mais de 1,8 mil indígenas, entre eles os povos Apurinã e Cinta Larga. O Parque Aripuanã, localizado no município de Vilhena (RO), possui mais de 1,6 mil hectares e também é lar de indígenas Cinta Larga e grupos isolados.

Valmir foi preso em flagrante pela Polícia Federal e pelo Ibama em 25 de maio de 2023, durante a Operação Oraculum, que atuou no local conhecido como "Garimpo Lajes".

Segundo a denúncia do MPF, ele exercia papel central na organização: coordenava a logística, mantinha uma base estruturada para a extração e adotava táticas para despistar fiscalizações e garantir a continuidade da atividade ilegal.

O grupo utilizava motobombas e escavadeiras para remover o solo e extrair diamantes, atividade que provocou desmatamento e degradação do substrato. A estrutura denunciada inclui dezenas de máquinas pesadas e acampamentos voltados à manutenção da extração.

Para comunicação e vigilância contra fiscalizações, os investigados usavam um rádio sem registro na Agência Nacional de Telecomunicações, equipado com uma antena adaptada conhecida como "chuveirinho" para ampliar o alcance do sinal. Valmir também se deslocava rapidamente por estradas ilegais em motos para coordenar as operações.

Ao ser abordado pelas autoridades, o acusado confessou a participação no garimpo, relatando que estava no acampamento havia cerca de 15 dias. Em depoimento, admitiu atuar na extração ilegal naquela área de proteção federal por, pelo menos, cinco anos.

Sem acordo com a Justiça

O MPF sustenta que, em razão da gravidade dos fatos, do tempo de atuação e do nível de organização do esquema, Valmir deve responder em processo criminal comum e ser levado a julgamento, sem possibilidade de soluções negociadas que atenuem a responsabilização penal.

O órgão apresentou denúncia por quatro crimes e também requereu medidas civis reparatórias.

  • Usurpação de bens da União (roubo de diamantes);
  • Extração ilegal de minérios, agravada por ocorrer em terra indígena;
  • Invasão de terras públicas;
  • Uso de rádio pirata (exploração clandestina de telecomunicações).

Além da responsabilização criminal, o MPF pediu que o réu seja condenado a pagar indenização mínima de R$ 200 mil para reparar os danos ambientais e os prejuízos morais sofridos pelas comunidades indígenas afetadas.

O processo corre na Justiça Federal de Vilhena, onde serão avaliadas as provas e as sanções propostas pelo Ministério Público Federal.

Fonte das informações: Ministério Público Federal

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