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CNPE elevou etanol na gasolina de 30% para 32% desde 1º/8; especialistas alertam para maior consumo e risco de corrosão em carros não flex; MPF acionou justiça.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinou o aumento da proporção de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, com vigência a partir de 1º de agosto. A medida vale por 180 dias e pode ser prorrogada por mais 180 dias.
O CNPE justificou a alteração pela volatilidade do mercado de petróleo e combustíveis e pelo aumento do custo dos combustíveis fósseis em razão da escalada do conflito no Oriente Médio. Em nota, o colegiado afirmou que ensaios laboratoriais e testes em condições reais não apontaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos.
Entidades do setor, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), disseram ter capacidade para atender à demanda adicional e destacaram o potencial de redução de importações de gasolina e maior uso de combustível renovável nacional. Por outro lado, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública no fim de julho pedindo a suspensão do aumento, alegando que os testes foram inconclusivos e que os impactos ambientais não foram devidamente avaliados.
Especialistas consultados alertam que veículos mais antigos, importados ou projetados apenas para rodar com gasolina — e que não têm calibração específica para teores maiores de etanol — podem apresentar riscos maiores. Entre os problemas apontados estão aumento do consumo, corrosão, desgaste de componentes e problemas de partida.
O etanol anidro, embora desidratado na usina, absorve umidade do ambiente, o que pode transportar água para o sistema de combustível. A presença de água, aliada ao etanol, eleva a condutividade elétrica e favorece a corrosão eletroquímica, afetando componentes metálicos não projetados para essa condição.
São exemplos de componentes que precisam ser compatíveis com a nova concentração de etanol:
Engenheiros explicam que a principal consequência do aumento do etanol é a menor densidade energética do combustível, o que tende a elevar o consumo. Como referência, um quilograma de etanol hidratado fornece cerca de 6.300 kcal, enquanto um quilograma de gasolina A fornece cerca de 10.400 kcal. A diferença exata no consumo varia conforme o motor e as condições de uso, e os testes oficiais de consumo são feitos em dinamômetros em ambiente controlado.
As principais avarias possíveis incluem corrosão e desgaste em componentes do sistema de injeção, com risco de falhas de funcionamento, aumento de emissões, perda de desempenho e danos à bomba de combustível e aos injetores.
Para minimizar riscos em veículos não flex ou mais antigos, especialistas recomendam alguns cuidados práticos:
Há filtros específicos compatíveis com maior teor de etanol que oferecem resistência química e melhor retenção de partículas; porém, a substituição só deve ser feita por peças com especificação adequada ao veículo.
Veículos flex foram projetados para operar com teores elevados de etanol e, em geral, não sofrem impacto na transição de 27% para 32%. Já carros não flex podem tolerar a variação em certos casos, mas exigem atenção e, quando necessário, a substituição de componentes por peças compatíveis.
Os primeiros sinais de que um veículo pode estar sendo afetado costumam aparecer no sistema de combustível, ignição ou calibragem. Atenção a sintomas como dificuldade de partida (principalmente a frio), marcha lenta instável, aumento perceptível do consumo, perda de desempenho, acelerações mais lentas, luz da injeção eletrônica acesa, cheiro de combustível, vazamentos, engasgos e falhas sob carga.
Fonte das informações: g1
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