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  • 17 Sep, 2026

Criminosos criaram perfil falso com foto do advogado para aplicar golpes; ele registrou BO, OAB-RO ajuizou ação e orienta confirmar identidade e não pagar Pix.

No início de agosto, o advogado e professor universitário Cláudio Ramos, de Porto Velho (RO), descobriu que criminosos criaram um perfil falso com sua foto para tentar aplicar golpes em clientes. A fraude foi identificada por um ex-aluno que recebeu uma mensagem suspeita e confirmou com o advogado.

Força-tarefa da OAB combate fraudes com advogados

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O perfil falso fazia contato por um número novo de WhatsApp e abordava pessoas que já foram clientes de Ramos, usando a imagem do profissional para dar verossimilhança à mensagem. A tática incluía pedidos de pagamento por Pix sob a alegação de liberação de valores de processos ou quitação de supostas custas.

Ao perceber a tentativa de golpe, Cláudio Ramos avisou clientes, amigos e familiares para desconfiar de mensagens inesperadas, registrou boletim de ocorrência e denunciou o perfil à plataforma digital utilizada pelos criminosos.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia (OAB-RO) informou que esse tipo de golpe tem crescido no estado. Segundo a vice-presidente da seccional, Vanessa Esber, criminosos usam dados públicos de processos judiciais para identificar advogados e suas partes e, a partir daí, procuram os telefones das vítimas.

Vanessa Esber relatou que a abordagem costuma seguir um padrão: contato por número novo, pressa para o pagamento e indicação de uma conta bancária de terceiros para recebimento. Em alguns casos, os golpistas já chegaram a usar inteligência artificial para imitar a voz de advogados durante as ligações.

Diante do aumento das ocorrências, a OAB-RO ajuizou uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra operadoras de telefonia, uma empresa de redes sociais e instituições financeiras. A ação exige critérios mais rigorosos para habilitação de linhas telefônicas, criação de contas em plataformas digitais e mecanismos de abertura e monitoramento de contas bancárias que recebem valores desses golpes.

A entidade destaca, porém, que o registro individual de cada caso continua essencial para dimensionar e investigar o problema. Por isso, recomenda que advogados e vítimas façam boletim de ocorrência, apresentem representação criminal e preservem evidências, como prints das conversas e comprovantes das denúncias à plataforma.

Entre as orientações práticas fornecidas pela OAB-RO estão confirmar a identidade do advogado por canais oficiais (por exemplo, o telefone indicado no contrato de honorários), criar senhas contratuais entre cliente e advogado e registrar essa senha no contrato, além de consultar o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) para verificar contatos oficiais.

A Ordem também cita ferramentas do Conselho Federal, como o Confirma Adv, que permite ao cliente inserir dados do advogado para que o profissional confirme a identidade, reduzindo o risco de contato por perfis falsos.

A OAB-RO alerta para sinais que devem gerar desconfiança imediata: número novo, pedido urgente e conta bancária diferente da registrada em contrato. "Se o número é novo, se a pressa é grande e se a conta não é a do contrato, pare. Uma ligação de confirmação custa um minuto. O golpe custa a economia de uma vida", afirmou Vanessa Esber.

A entidade reforça que o Judiciário não cobra taxas por Pix para liberar valores de processo e que advogados sérios não fazem cobranças-surpresa por mensagem. Em caso de fraude por Pix, recomenda-se acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) da instituição financeira utilizada.

No caso de Cláudio Ramos, o golpe não chegou a causar prejuízo financeiro, mas serviu como alerta sobre a facilidade com que criminosos podem acessar dados públicos e montar abordagens convincentes. As medidas tomadas pelo advogado incluem comunicação preventiva aos seus contatos e ações formais junto às autoridades e à plataforma digital.

Fonte da imagem: TV Globo/Reprodução

Fonte das informações: OAB-RO e entrevista com o advogado Cláudio Ramos

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