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  • 01 Aug, 2026

Levantamento indica cerca de 30 milhões de brasileiras vítimas de violência por parceiro; medo de denunciar, impunidade e Justiça lenta são obstáculos.

Pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva mostra que 54% das brasileiras que já se relacionaram com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência, enquanto 11% dos homens reconhecem ter cometido agressão contra parceira ou ex-parceira.

O levantamento, feito entre 22 e 30 de abril de 2026, ouviu 1.500 pessoas de 16 anos ou mais de todas as regiões do país por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

Cerca de 30 milhões de mulheres disseram já ter sido vítimas de violência por parceiro ou ex-parceiro; quando questionadas sobre situações específicas, esse total sobe para quase 48 milhões.

A pesquisa avaliou também a percepção sobre quem pratica a violência, as formas mais frequentes, o conhecimento sobre a Lei Maria da Penha e os obstáculos para denunciar e proteger as vítimas. O estudo foi elaborado no contexto dos 20 anos da lei, que é o principal instrumento jurídico brasileiro para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

A seguir, os principais dados levantados pelo estudo.

Percepção sobre quem costuma praticar violência contra a mulher:

Tipo de agressorPercentual
Parceiros ou ex-parceiros88%
Familiares ou parentes próximos33%
Pessoas conhecidas29%
Desconhecidos27%
Todos os tipos de homens igualmente9%
Outras mulheres6%

Tipos de violência relatados pelas mulheres:

Tipo de violênciaPercentual
Violência psicológica42%
Violência física25%
Violência moral19%
Violência sexual10%
Violência patrimonial9%

Como mulheres e homens dizem que reagiriam ao presenciar uma agressão:

AçãoMulheresHomens
Chamariam a polícia ou outras autoridades70%56%
Procurariam ajuda de outras pessoas11%4%
Tentariam intervir discretamente, sem uso da força9%19%
Tentariam intervir diretamente, usando a força se necessário7%15%
Não interfeririam1%3%
Não souberam responder1%3%

Conhecimento dos serviços de apoio entre as mulheres entrevistadas:

ServiçoPercentual
Delegacia da Mulher75%
Ligue 18064%
Polícia Militar (190)55%
Disque Denúncia54%
CRAS e CREAS34%
Juizados de Violência Doméstica e Familiar34%
SOS Mulher32%
Casa da Mulher Brasileira32%
Defensoria Pública29%
Ministério Público23%

Principais obstáculos apontados pelas mulheres para enfrentar a violência:

ObstáculoPercentual
Medo de denunciar por represálias ou falta de proteção68%
Impunidade dos agressores56%
Lentidão da Justiça39%
Cultura que naturaliza ou minimiza a violência35%
Falta de serviços de apoio às vítimas25%
Falta de aplicação das leis24%
Falta de preparo das forças de segurança23%
Falta de informação sobre direitos e canais de ajuda17%
Falta de envolvimento dos homens no enfrentamento13%

O que mulheres associam à Lei Maria da Penha, entre as que conhecem ou já ouviram falar da norma:

AssociaçãoPercentual
Proteção às mulheres e às vítimas73%
Responsabilização criminal dos agressores15%
Prevenção e enfrentamento da violência4%
Proteção institucional e acesso à Justiça3%
Direitos e cidadania3%
Críticas ou negação da lei1%
Outros1%

Conhecimento sobre modalidades de violência previstas na lei:

ModalidadePercentual que reconhece
Violência física88%
Violência psicológica78%
Violência sexual76%
Violência moral61%
Violência patrimonial46%

Apenas 39% das entrevistadas sabem que a Lei Maria da Penha abrange essas cinco modalidades de violência.

Conhecimento sobre medidas previstas pela lei:

MedidaPercentual
Medidas protetivas para impedir aproximação do agressor83%
Afastamento do agressor do lar74%
Abrigos para mulheres em situação de risco68%
Atendimento psicológico e jurídico gratuito64%
Proteção patrimonial das vítimas38%

Como situações de violência eram tratadas antes da Lei Maria da Penha, segundo as mulheres:

AfirmaçãoPercentual
Predominava a ideia de “em briga de marido e mulher não se mete a colher”81%
Mulheres não tinham onde buscar ajuda81%
As punições aos agressores eram brandas64%

Percepção sobre o impacto e a proteção da lei:

AfirmaçãoPercentual
A lei tem impacto real na vida das mulheres70% (7 em cada 10)
Sentem-se mais protegidas pela existência da lei54%
Lei tornou as mulheres mais conscientes sobre riscos75% (3 em cada 4)
Acreditam que muitos homens não entendem atitudes como violência77%
Acreditam que muitos homens se omitem diante de outros homens82%

Autopercepção dos homens sobre mudanças de comportamento após a lei:

AfirmaçãoPercentual de concordância entre homens
A existência da lei faz com que eu trate as mulheres de forma melhor57%
A lei me deixa mais em alerta sobre o risco de cometer violência60%

Avaliação sobre a proteção oferecida pela lei:

RespostaPercentual
Sim25%
Em parte67%
Não8%

Adicionalmente, 80% concordam que a Lei Maria da Penha ainda não funciona na prática como deveria; 82% entendem que a legislação, isoladamente, não é suficiente; e 41% consideram que as forças de segurança estão preparadas para atender adequadamente mulheres em situação de violência.

Medidas consideradas mais importantes para enfrentar a violência contra a mulher:

MedidaPercentual
Ampliar apoio e proteção às vítimas (assistência, psicológico, jurídico, abrigos)91%
Endurecer leis e aumentar punição aos agressores91%
Melhorar aplicação das leis e funcionamento da Justiça90%
Promover educação e prevenção (escolas, campanhas)89%
Facilitar acesso aos canais de denúncia89%
Promover autonomia financeira das mulheres88%
Fortalecer atuação das forças de segurança88%
Criar grupos de reflexão para homens que cometeram violência73%

Os autores do estudo destacam que a denúncia é fundamental para romper o ciclo da violência, responsabilizar agressores e assegurar acesso à rede de proteção. Em caso de violência, as mulheres podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180 (serviço gratuito em todo o país) e, em situações de emergência ou flagrante, ligar para a Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível registrar ocorrência em delegacias, especialmente Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, ou buscar atendimento no Ministério Público e na Defensoria Pública.

Os resultados apontam avanços promovidos pela Lei Maria da Penha, mas evidenciam que violência de gênero permanece como um problema estrutural que exige ações conjuntas do Estado, fortalecimento das redes de proteção e mudanças culturais para enfrentar o machismo e outras desigualdades de gênero.

Fonte das informações: Instituto Patrícia Galvão; Instituto Locomotiva (com apoio da Uber)

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