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  • 22 Sep, 2026

Professora de La Guaira em luto por mais de 230 alunos

Professora relata culpa e silêncio após o duplo terremoto de 24/6: ela perdeu 16 alunos e diz que, na sua escola pública, há mais de 200 desaparecidos.

Madeleine Cova, professora de Espanhol e Literatura em La Guaira, no norte da Venezuela, vive em luto desde o duplo terremoto que atingiu a região em 24 de junho. Apesar de familiares e amigos estarem bem, ela diz que permanece "sempre triste" após a perda de alunos com quem mantinha uma relação muito próxima.

Segundo a professora, seus estudantes recorriam a ela para conversar sobre problemas pessoais, hábitos e metas; participavam de aniversários e compartilhavam momentos fora da escola. Após o desastre, Madeleine passou a dedicar canções e imagens aos jovens em suas redes e publicou um vídeo em que lamentou a morte de dezenas de alunos.

Madeleine trabalhava na escola privada Alejandro Otero e também era coordenadora do segundo ano do ensino médio na escola pública Juan José Mendoza, onde ainda atua. Em diferentes falas, ela relata perdas nas duas instituições e descreve o impacto emocional: culpa por não ter estado com os jovens durante as buscas, sensação de vazio e dificuldade para retornar ao ambiente da escola privada.

O governo venezuelano contabilizou mais de 6,5 mil mortos após os tremores, que também causaram destruição de estruturas e deslocamento de famílias. A presidente em exercício afirmou, ao reagir ao início do novo ano escolar em 14 de setembro, que várias escolas foram afetadas e que dezenas de milhares de crianças precisaram ser realocadas para continuar estudando.

Madeleine descreve que muitos alunos moravam nas áreas mais devastadas de La Guaira. Ela afirma que a escola pública Juan José Mendoza é, até agora, a instituição com o maior número de estudantes mortos confirmados entre as que ela conhece.

Os dados a seguir resumem as principais consequências relatadas e mencionadas por Madeleine sobre o impacto do terremoto na educação local e nas suas turmas.

ItemQuantidade aproximada
Mortes oficiais no país (governo)Mais de 6.500
Escolas desabadas11
Escolas com danos~1.017
Crianças afetadas/realocadasMais de 86.000
Estudantes mortos (escola pública citada)Mais de 230
Estudantes desaparecidos (mesma escola)Mais de 200
Alunos da professora mortos na escola particular16

Madeleine relata que, logo após o terremoto, divulgou números iniciais distintos — primeiro mencionou 15 alunos do particular e 100 do público — mas que as contagens mudaram à medida que novas confirmações chegaram. Hoje, diz ela, a escola pública registrou mais de 230 óbitos e mais de 200 desaparecimentos entre seus alunos.

A professora descreve a relação com os jovens em termos afetivos: "Para mim, eles eram como meus filhos". Conta que sentia prazer em chegar cedo à escola, que os estudantes a aguardavam e procuravam para conversar. Esses vínculos, segundo ela, também permitiam que muitos jovens se abrissem e compartilhassem preocupações que, de outro modo, poderiam ficar ocultas.

Madeleine fala sobre a sensação de culpa que a acompanha — por não ter convidado os alunos a atividades no feriado em que ocorreram os tremores, por ter ido a Caracas para ajudar uma sobrinha ferida, e por não ter conseguido permanecer nas buscas iniciais. Esses sentimentos se somam ao desespero de ver turmas reduzidas: de 22 seções do ensino médio, restou apenas uma por ano em função das mortes, deslocamentos e perdas de população estudantil.

Ela também recorda momentos marcantes com os estudantes: surpresas em aniversários, elogios que a emocionaram — como a comparação com "borboletas", que a fez chorar — e casos de alunos tímidos que revelaram talentos e exerceram liderança quando estimulados. Três estudantes daquela turma do quarto ano do ensino médio foram vítimas do desastre.

Madeleine teve, no passado, outro luto profundo: perdeu o pai em um deslizamento em 1999 e relata que aquele episódio também a marcou com depressão severa. Agora, após a tragédia de 2024, diz que o sofrimento é diferente e que ainda não consegue retornar à escola particular onde lecionava. "O luto não me permite regressar", afirma.

Ela descreve que, para chegar a parentes em outras partes do Estado, precisa cruzar áreas muito afetadas pelos tremores e que ver os escombros das casas de alunos a entristece profundamente. Apesar da dor, Madeleine mantém a preocupação com o bem-estar dos sobreviventes: consolam-se mutuamente com outras mães, trocam mensagens e tentam apoiar os estudantes que permanecem.

Para a professora, a função docente envolve não apenas transmitir conteúdos, mas oferecer atenção, escuta e carinho. "O conteúdo acadêmico pode ficar em segundo plano", diz ela, mas o que os alunos não esquecem é como foram tratados — e esse vínculo, completa, é uma das razões de sua dor após as perdas.

No momento, Madeleine segue trabalhando na escola pública e preserva na memória as lembranças dos alunos que a consideravam uma referência afetiva e educacional. Ela afirma que guardará essas memórias "para sempre como um tesouro".

Fonte das informações: G1

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