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  • 05 Aug, 2026

Revogação do visto de Maria Luiza Viotti ocorre após atraso brasileiro no agrément de Daniel Perez; medida pode ser revertida se o aval for concedido.

Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciou o Departamento de Estado na terça-feira (4). Segundo a pasta, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.

O Departamento de Estado afirmou que a revogação do visto não equivale a uma expulsão: a embaixadora poderá permanecer em solo americano, mas sem um visto válido.

Ainda segundo o governo americano, o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático para a nomeação do novo embaixador dos EUA.

O Itamaraty não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

A decisão americana ocorre 10 dias após o Brasil negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que planejavam viajar ao país: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

Os funcionários foram mencionados na imprensa como ligados a uma estratégia para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O Departamento de Estado negou qualquer intenção de interferência e disse que a visita tinha como objetivo discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.

No fim de julho, autoridades brasileiras já avaliavam a possibilidade de retaliações diplomáticas após a negativa dos vistos, incluindo novas restrições de entrada e outras medidas de pressão.

Entre as opções consideradas estava o uso da Lei Magnitsky, que permite aos Estados Unidos impor sanções a cidadãos estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos ou de corrupção em larga escala.

O ministro Alexandre de Moraes chegou a ser alvo de sanções com base na Lei Magnitsky em julho do ano passado, mas foi removido da lista no fim de 2025 após negociações entre os governos brasileiro e americano.

As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se deteriorar em julho do ano passado, quando o presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos, justificando a medida como resposta a uma suposta "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos meses seguintes, negociações entre Brasil e Casa Branca amenizaram parte das tensões. No fim de 2025, os Estados Unidos aliviaram tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump se encontraram duas vezes; Lula visitou Washington em 7 de maio para se reunir com o líder americano.

O relacionamento voltou a se desgastar no fim de maio, quando os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão foi anunciada dias após o encontro do senador Flávio Bolsonaro com autoridades americanas.

Semanas depois, os EUA impuseram novas tarifas ao Brasil. Em 22 de julho entrou em vigor uma taxa de 25% decorrente de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio, com o argumento de que práticas brasileiras oneram ou restringem o comércio com os EUA — citando entre os exemplos o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.

Dois dias depois foi confirmada outra tarifa, de 12,5%, aplicada ao Brasil e a dezenas de outros países, com a justificativa de práticas comerciais desleais e insuficiente combate ao trabalho forçado.

A reportagem está em atualização.

Fonte das informações: g1.globo.com

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