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  • 01 Aug, 2026

Anuário mostra que 34% dos autores são adolescentes; 84% das vítimas são meninas, 78% têm 12–17 anos; maus-tratos no lar subiram 14,6% em 2025.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento de 25% nos registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil no Brasil em 2025. O relatório, divulgado no dia 23, trouxe pela primeira vez uma análise específica desse tipo de crime, que tem dinâmica marcada pelo meio digital.

O estudo mostra que 34,2% dos autores desses crimes são adolescentes, ou seja, cerca de 1 em cada 3 casos envolve jovens. Em 86,5% das ocorrências havia apenas autores do sexo masculino; casos com apenas autoras representaram 9,1% e 4,4% envolveram autoria múltipla.

Quanto às vítimas, 84,2% eram meninas e 78,3% tinham entre 12 e 17 anos. Foram registrados 4.063 casos com vítimas de até 17 anos em 2025, alta de 25,3% em relação a 2024 (3.280 ocorrências). Entre jovens de 18 e 19 anos, os registros subiram de 181 para 265, crescimento de 49%.

Pesquisadores destacam que o envolvimento de adolescentes entre os autores está associado à ampliação do acesso a redes sociais, plataformas de mensagens e comunidades virtuais que difundem misoginia, sexualização precoce e discursos de dominação masculina. Para Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados indicam que se trata muitas vezes de “uma violência entre pares”.

O relatório ressalta que a expansão das tecnologias digitais modificou as formas de socialização de crianças e adolescentes e as dinâmicas da violência sexual, tornando centrais modalidades como aliciamento e a produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil. Os pesquisadores apontam a necessidade de compreensão ampla das transformações e de regulação das big techs, argumentando que a demora em mecanismos regulatórios favoreceu espaços virtuais onde persistem violências contra crianças, adolescentes e mulheres.

O anuário também registrou crescimento de crimes cometidos no ambiente familiar contra crianças e adolescentes. Maus-tratos, abandono de incapaz e abandono material tiveram aumento desde 2021, com destaque para o avanço dos casos de maus-tratos.

Foram 38.986 registros de maus-tratos em 2025, alta de 14,6% ante 2024 e de 106,1% em comparação com 2021. Mais da metade das vítimas (59,1%) tinha entre 0 e 9 anos. O aumento ocorreu em todas as faixas etárias, conforme detalhado a seguir.

Esta tabela resume os principais indicadores e variações apontadas pelo anúario.

IndicadorValor / Variação
Registros de produção/posse/distribuição de material de abuso sexual infantil (2025)+25%
Casos com vítimas até 17 anos (2025)4.063 (↑25,3% vs 2024)
Autoria por adolescentes34,2%
Vítimas do sexo feminino84,2%
Vítimas entre 12 e 17 anos78,3%
Maus-tratos registrados (2025)38.986 (↑14,6% vs 2024)
Abandono de incapaz (2025)14.815 (↑18,5% vs 2024)
Lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra vítimas até 17 anos (2025)21.811 (↑5,5% vs 2024)

O crescimento dos maus-tratos variou por faixa etária: 0 a 4 anos (↑16,3%), 5 a 9 anos (↑14,9%), 10 a 13 anos (↑10,9%) e 14 a 17 anos (↑17,2%).

Os pesquisadores interpretam esses números como reflexo da persistência de uma cultura que ainda utiliza a violência física como forma de disciplina, apesar das normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O relatório conclui que o enfrentamento exige ações integradas de prevenção, responsabilização e regulação das plataformas digitais.

Fonte das informações: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública

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