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Antes de Maria Bonita, Maria de Déa: seu pai, Zé Felipe, relata ruína e angústia após união com Lampião, revelando o impacto do cangaço nas famílias.
A família vivia na Fazenda Malhada da Caiçara, no sertão da Bahia, região hoje vinculada ao município de Paulo Afonso. Zé Felipe trabalhava como pequeno lavrador e criador de gado, em uma rotina marcada pelas dificuldades típicas do sertão.
Quando Maria decidiu acompanhar Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, a vida da família mudou. Em entrevista concedida em 1958, Zé Felipe afirmou que ficou arruinado após a união da filha com o chefe do cangaço.
Segundo o relato do pai, nas ocasiões em que conseguiu ficar frente a frente com Maria tentou convencê-la a abandonar a vida de cangaço. Para ele, Lampião vivia sem pouso certo, sempre em fuga e cercado de riscos.
Depois da decisão da filha, Zé Felipe passou anos percorrendo o Norte e o Nordeste inquieto, carregando o peso de ter na família o nome associado a uma história que se tornara lenda. A fama, o medo e a violência do conflito repercutiram sobre toda a família.
Zé Felipe morreu em 1965, aos 85 anos. Viveu o suficiente para ver Maria tornar‑se mito, mas manteve a dor de não ter conseguido trazê‑la de volta.
Essa história revela um lado menos contado do cangaço: além dos líderes e dos combates, havia famílias afetadas por escolhas irreversíveis e pela violência que transformou vidas domésticas em narrativa pública.
Algumas histórias do sertão não começam no rifle nem terminam na lenda; começam dentro de casa.
Fonte da imagem: Reprodução
Fonte das informações: material fornecido
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