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CEDCA e Banzeiro acionam Justiça contra edital de concurso em RO por exigir exames íntimos, perguntas sobre gravidez e saúde; pedem suspensão e indenização.
Organizações de defesa dos direitos humanos entraram com ação judicial contra o Estado de Rondônia por exigências consideradas abusivas, invasivas e ilegais em concursos públicos destinados à posse de professores estaduais. A iniciativa é assinada pelo Centro de Defesa de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente Maria dos Anjos (CEDECA) e pelo Instituto Banzeiro da Amazônia.
A ação judicial questiona o Edital nº 136/2026/SEGEP-GCP e afirma que práticas semelhantes vêm sendo adotadas de forma sistemática em editais de outras secretarias estaduais nos últimos anos, incluindo SESAU, CGE, SEFIN e SEAS.
Segundo as autoras, o edital impõe uma série de requisitos para a perícia médica que não guardam relação com as funções docentes e violam preceitos constitucionais, normas nacionais e tratados internacionais de direitos humanos. Entre as exigências apontadas como ilegais estão:
As organizações alegam que tais exigências configuram discriminação de gênero, estigmatização por motivos de saúde e violação de privacidade, incluindo coleta de dados sensíveis sem finalidade legítima, em afronta à Lei Federal nº 9.029/1995, à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a convenções internacionais como a CEDAW e a Convenção de Belém do Pará. Também citam precedentes do Supremo Tribunal Federal (Tema 838) e jurisprudência do STJ sobre a proteção da intimidade e da dignidade.
Em nota, Thais de Carvalho Campos Barroso (presidenta do CEDECA) afirmou que submeter candidatos a uma "devassa compulsória" de suas vidas privadas é violência psicológica e institucional, que fere a dignidade humana e os direitos fundamentais. Cleyanne Alves (presidenta do Instituto Banzeiro da Amazônia) destacou o recorte de gênero das exigências e classificou a prática como expressão de uma cultura autoritária e patriarcal.
Vinicius Valentin Raduan Miguel, que coordena as representações do CEDECA, acrescentou que a política pública não só viola direitos como também impõe custos aos candidatos e pode sobrecarregar o Sistema Único de Saúde com exames sem utilidade para a avaliação da capacidade funcional exigida pelo cargo.
Como medida de urgência, a ação pede concessão de tutela provisória para suspender imediatamente todas as cláusulas consideradas ilegais, garantindo a posse dos aprovados sem a exigência de perguntas íntimas e exames vexatórios. No mérito, requer-se:
As autoras também solicitaram a intimação do Ministério Público e da Defensoria Pública para atuarem no processo. A petição é subscrita pelos advogados Vinicius Valentin Raduan Miguel, Rafael Valentin Raduan Miguel e Ítalo Henrique Macena Barboza.
Fonte da imagem: Foto: Reprodução
Fonte das informações: Assessoria
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