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Projeto no Congresso propõe acabar com a escala 6×1, estimando impacto salarial de 4,7% e melhorias em saúde, produtividade e qualidade de vida.
O debate sobre o fim da escala 6×1 coloca em pauta a organização do tempo de trabalho e de vida no Brasil: trata-se de uma decisão sobre prioridades sociais e sobre o modelo de desenvolvimento que o país quer adotar.
A escala 6×1, criada em contextos de menor automação e produtividade dependente da presença contínua do trabalhador, hoje tem efeitos que incluem exaustão, adoecimento e perda de convivência familiar, além de limitar o potencial produtivo individual.
Dados do eSocial, relativos a dezembro de 2025 e baseados em 50,3 milhões de vínculos, indicam que 74% dos trabalhadores formais têm contrato de 44 horas semanais. Entre esses, 66,8% já atuam no regime 5×2 e 33,2% permanecem em escala 6×1, com pouca variação entre médias e grandes empresas — sinal de que a manutenção da 6×1 é sobretudo uma escolha cultural, não uma exigência econômica.
Manter jornadas longas acarreta custos ocultos: aumento do estresse, redução do sono, maior risco de acidentes, mais faltas, queda de produtividade, dificuldade de aprendizado e maior rotatividade, o que eleva gastos com desligamentos, contratações e treinamentos.
Estudos e estimativas apontam que a transição para regimes com mais descanso tem impacto direto estimado em 4,7% sobre a massa salarial — um custo considerado absorvível pela economia brasileira — e não deve provocar um aumento expressivo de horas extras. Mais da metade dos trabalhadores não recebe horas extras e, entre os que recebem, a média é de cerca de três horas semanais.
Resultados práticos já foram observados: estudo da Fundação Getúlio Vargas, de 2025, com 19 empresas concluiu que 72% delas aumentaram a receita e 44% melhoraram o cumprimento de prazos após reduzir a jornada.
Experiências internacionais reforçam a viabilidade da mudança. A Islândia registrou crescimento econômico após redução da jornada; a Microsoft no Japão reportou aumento de produtividade de 40% com a semana de quatro dias; e países da América Latina, como Chile e Equador, avançam em medidas semelhantes, conciliando competitividade e qualidade de vida.
No plano institucional, o presidente enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei com urgência constitucional para enfrentar a questão, propondo retirar a escala 6×1 como padrão, valorizar o descanso e fortalecer a negociação coletiva, com objetivo de modernizar as relações de trabalho no país.
A decisão envolve escolhas políticas e sociais: aprovar a proposta representa uma aposta em maior bem-estar, potencial de produtividade e equidade; rejeitá‑la mantém um modelo herdado que, segundo especialistas, penaliza a saúde e a vida familiar dos trabalhadores.
Fonte da imagem: Divulgação
Fonte das informações: eSocial; Fundação Getúlio Vargas; Presidência da República
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