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  • 16 Sep, 2026

Retenção de vistos e sanções estatunidenses enfraquecem a cooperação bilateral contra tráfico, lavagem e contrabando, prejudicando operações da Polícia Federal.

Uma divergência diplomática entre Brasil e Estados Unidos tem prejudicado a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, segundo reportagem publicada no sábado (12).

Autoridades brasileiras e americanas, ouvidas sob condição de anonimato, disseram que o Departamento de Estado dos EUA reteve os vistos de dois agentes da Polícia Federal designados para atuar em Miami e Nova York. Em retaliação, o governo brasileiro bloqueou o visto de um oficial norte-americano que seria enviado ao país.

Além disso, os EUA alegaram ter a "agenda lotada" e recusaram a visita de quase uma dúzia de agentes da Receita Federal brasileira que planejavam ir a Washington para tratar de combate à lavagem de dinheiro e ao contrabando de armas.

O Departamento de Estado afirmou, em nota, que não comentaria detalhes dos vistos, mas que mantém procedimentos de concessão com foco na proteção da segurança nacional e pública.

Fontes consultadas situam essa disputa no contexto de uma escalada iniciada em abril, quando os EUA expulsaram o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho. Os americanos afirmaram na ocasião que o delegado havia participado de ações consideradas uma "caça às bruxas política" ao prender um ex-chefe da inteligência brasileiro ligado à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Como resposta imediata, o Brasil revogou as credenciais de um agente de segurança americano em Brasília.

As divergências também ocorrem em meio a relatos de tentativas de interferência americana em assuntos internos do Brasil. A reportagem diz que a ruptura se aprofundou após sinais de apoio dos EUA ao candidato de direita Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro, em confronto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em maio, o presidente Lula apresentou pessoalmente ao então presidente americano uma proposta para combate conjunto às facções, com foco no bloqueio de armas; o governo americano não respondeu formalmente ao plano.

No mesmo mês, sob pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, os EUA classificaram as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo autoridades brasileiras, a decisão expôs investigações sigilosas da Polícia Federal ao aplicar sanções públicas a suspeitos monitorados, vazando a existência das apurações e obrigando prisões apressadas.

Mesmo com cooperações técnicas pontuais — como um sistema de alertas cruzados sobre contêineres suspeitos que ajudou a interceptar armas contrabandeadas —, a falta de alinhamento entre as altas instâncias dos dois governos ameaça os esforços conjuntos contra as facções.

O Brasil é apontado como rota estratégica para a cocaína destinada à Europa e à África, enquanto grupos criminosos nacionais utilizam o sistema bancário dos EUA para lavar dinheiro e adquirem armas enviadas ilegalmente de estados norte-americanos. Recentemente, a Polícia Federal prendeu dois homens com peças de armamentos enviadas da Flórida.

Além das divergências sobre vistos e investigações, o Brasil tem sido excluído de novas iniciativas regionais de segurança promovidas pelos EUA, como a aliança "Escudo das Américas" e encontros na ONU. Para o ex-embaixador americano Jimmy Story, esse tipo de diplomacia tende a aprofundar um afastamento contraproducente entre os países.

Fonte da imagem: Jornal Nacional/ Reprodução

Fonte das informações: g1.globo.com

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