Carregando...

  • 02 Aug, 2026

Comunicadores devem atualizar a linguagem e evitar estigmas; mídia exerce poder simbólico ao moldar convenções sociais e educar a população.

O filósofo e historiador Paul‑Michel Foucault afirma que os discursos giram em torno do poder: ao produzir mensagens, comunicadores estruturam percepções de tempo e espaço e instauram formas de vigilância que delimitam liberdades individuais. Esse mecanismo, chamado por Foucault de “poder disciplinar”, evidencia a responsabilidade de quem comunica em evitar a reprodução de preconceitos e estigmas.

Em entrevista, o comunicador social, jornalista e publicitário Solano Ferreira destacou a influência dos profissionais de comunicação nas convenções sociais e a necessidade de um discurso livre de preconceito. Segundo ele, o jornalismo tem, além da função de informar, um caráter educativo que contribui para a adoção de novas linguagens pela população.

Solano lembrou que as palavras mudam de sentido ao longo do tempo e que o comunicador precisa acompanhar essas transformações para não reforçar usos pejorativos. “Antigamente se usava ‘preto’ para pessoas de pele escura, depois passou‑se a usar ‘negro’; hoje o termo ‘preto’ volta a ser usado em certos contextos. Essas mudanças ocorrem porque, com o tempo, um termo pode ser vulgarizado e tornar‑se pejorativo”, afirmou. Para ele, o comunicador não deve ser parte da notícia, mas o agente transmissor que notifica os fatos com uma postura despreconceituosa.

O entrevistado também apontou o papel da indústria cultural — cinema, teledramaturgia e jornalismo — na difusão de termos e de novas formas de expressão. “A sociedade assimila automaticamente o que consome; portanto, a linguagem e a maneira de abordar temas educam”, disse Solano, ressaltando que escolhas narrativas têm efeito direto na normalização de conceitos e comportamentos.

Ao retomar o pensamento de Foucault sobre o exercício do poder, Solano afirmou que a comunicação exerce um “poder simbólico”: não é poder decisório como os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas um poder de mobilização e transformação social capaz de influenciar atitudes e convenções coletivas.

Foto: Reprodução


Fonte da imagem: Reprodução

Fonte das informações: Entrevista com Solano Ferreira; reportagem por José dos Anjos

Sua experiência neste site será melhorada, permitindo que os cookies Política de Cookie