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FAO diz que conflitos (Irã-Israel, Ucrânia), alta do petróleo, falta de fertilizantes e El Niño podem elevar preços dos alimentos, com impacto maior até 2027.
O mundo pode enfrentar uma nova onda de inflação dos alimentos provocada pela combinação da guerra entre Irã e Israel, do conflito na Ucrânia e dos impactos do fenômeno climático El Niño na produção agrícola, segundo alerta do economista-chefe da FAO.
Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), prevê alta nos preços das commodities agrícolas ainda neste ano, com efeito mais forte sobre os preços aos consumidores no final de 2026 e ao longo de 2027.
Torero afirmou que a transmissão do aumento das commodities para o preço final costuma levar de três a seis meses, e que os alimentos podem começar a ficar mais caros já até o fim do ano, com uma alta ainda maior no ano seguinte.
Os alimentos tiveram papel central na disparada da inflação global em 2022. Em 2023 e 2024 os preços estiveram mais contidos, mas, segundo a FAO, essa estabilidade tende a ser temporária diante dos riscos atuais.
O aumento do petróleo, a redução da oferta de fertilizantes originários da região do Golfo, a escassez de diesel em algumas regiões e eventos climáticos extremos vêm elevando os custos de produção agrícola. Esses custos adicionais devem chegar ao consumidor, embora com atraso.
Apesar de recentes altas em trigo, milho e arroz, os preços ainda refletem safras anteriores relativamente boas e não incorporam plenamente as dificuldades previstas para o próximo ciclo agrícola.
Torero destacou a preocupação com o Estreito de Ormuz, rota que concentra parte significativa do transporte de petróleo e gás. A alta do petróleo e a menor disponibilidade de gás afetam diretamente insumos agrícolas: combustíveis são usados no bombeamento de água, transporte, processamento e embalagens, enquanto o gás natural é essencial para a produção de fertilizantes.
Além disso, ataques à infraestrutura de petróleo e gás reduziram a oferta exportável de diesel e gás natural, pressionando ainda mais os custos de produção de alimentos.
Como os preços das commodities são estabelecidos globalmente, os efeitos são sentidos em diversos países, ainda que economias mais ricas tenham maior capacidade de proteger produtores e consumidores.
Nos Estados Unidos, a American Farm Bureau Federation estima que produtores das nove principais culturas agrícolas podem acumular perdas de US$ 32 bilhões em 2027 sem apoio federal, com todas as culturas analisadas operando abaixo do ponto de equilíbrio financeiro na projeção.
No início da guerra envolvendo o Irã, houve redução no plantio de trigo e milho nos primeiros três meses e migração parcial dos agricultores norte-americanos para a soja, cultura que demanda menos fertilizantes.
Na Austrália, o governo prevê queda de cerca de 21% na produção das culturas de inverno, atribuída em parte ao aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes e às incertezas sobre a disponibilidade desses insumos.
O El Niño, que neste ano deve ser especialmente intenso, altera padrões de chuva em várias regiões, reduz a produtividade agrícola, eleva os preços das commodities e pode empurrar dezenas de milhões de pessoas à insegurança alimentar grave.
Na Índia, a temporada de monções começou com atraso e as previsões indicam chuvas abaixo da média neste mês, o que pode prejudicar a produção de arroz e contribuir para nova pressão sobre os preços globais dos alimentos.
Em conjunto, conflitos geopolíticos, restrições de insumos, choques climáticos e mudanças nas decisões de plantio tornam plausível uma elevação mais persistente dos preços dos alimentos até 2027.
Fonte das informações: FAO; American Farm Bureau Federation; comunicados e estimativas governamentais citados.
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