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  • 16 Sep, 2026

Documentos e vídeos inéditos em ação de US$1 tri contradizem 25 anos de negativas e mostram ligações de Bayoumi a Awlaki, oficiais sauditas e a um diagrama.

Vídeos e documentos incluídos nos autos de um processo contra a Arábia Saudita mostram Omar al-Bayoumi em convivência com Anwar al-Awlaki e com funcionários do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita no final da década de 1990, contrariando décadas de negativas sobre seu envolvimento com extremistas ou como agente saudita.

As imagens, gravadas por volta de 1997–1998 e anexadas ao processo movido por familiares das vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001, registram Bayoumi jogando paintball com Awlaki em área próxima a San Diego e também em interações públicas com representantes do ministério saudita. Em um dos vídeos, Bayoumi abraça Awlaki.

Além dos vídeos, as autoridades encontraram entre os pertences de Bayoumi, apreendidos após sua detenção em Birmingham (Reino Unido) em 21 de setembro de 2001, uma folha com um esboço de avião acompanhada de cálculos matemáticos que descrevem uma descida de voo. Essa página passou a integrar as provas do processo e foi apontada por um juiz como evidência que, à primeira vista, liga Bayoumi ao conhecimento dos ataques.

Segundo os autos, cópias dos vídeos e do diagrama estavam em poder do FBI poucos dias após os atentados. No entanto, parte dessas provas não foi compartilhada com investigadores britânicos que interrogaram Bayoumi em Londres, e escritórios do FBI em San Diego e Los Angeles enfrentaram restrições para entrevistar contatos do acusado ligados ao governo saudita.

As famílias das vítimas sustentam na ação que a Arábia Saudita foi cúmplice dos ataques e que Bayoumi ajudou ao menos três dos 19 sequestradores envolvidos nos atentados. Bayoumi nunca foi formalmente processado pelos atos relacionados ao 11 de Setembro.

Bayoumi chegou aos Estados Unidos em 1994, declarando-se estudante de inglês, mas passou a dedicar-se sobretudo à organização de eventos religiosos na comunidade saudita em San Diego, frequentemente registrando as atividades em vídeo. Registros do período mostram que ele mantinha extensa lista de contatos, incluindo diversos nomes de autoridades sauditas nos EUA e na Arábia Saudita.

Os vídeos de paintball mostram grupos em simulações de combate urbano e práticas de tiro ao alvo, com alguns participantes vestindo trajes que lembram uniformes militares e entoando slogans religiosos. Investigadores antiterrorismo passaram a considerar, após o 11 de Setembro, que algumas dessas atividades poderiam funcionar como treinamento para ações violentas; evidências relacionadas a paintball já foram usadas em processos por terrorismo em diferentes ocasiões.

Quando interrogado no âmbito do processo judicial em 2021, Bayoumi negou conhecer Awlaki. A gravação que contraria essa afirmação foi disponibilizada de forma confidencial ao tribunal um ano depois e tornou-se acessível nos registros públicos em data posterior.

Nos dias seguintes à prisão de Bayoumi em 21 de setembro de 2001, agentes catalogaram milhares de páginas de documentos, centenas de fotografias, passagens, canhotos, fitas de vídeo e um caderno contendo o esboço e os cálculos do avião. Ainda assim, há registro de que o diagrama não foi entregue aos detetives da Polícia Metropolitana de Londres que conduziam o interrogatório, apesar de cópias estarem fisicamente nas proximidades da delegacia.

Relatos de agentes envolvidos apontam falhas e bloqueios na circulação de provas e na condução de entrevistas com pessoas ligadas ao governo saudita nos Estados Unidos, o que contribuiu para que algumas linhas de investigação não fossem aprofundadas na época. A Comissão do 11 de Setembro, em seu relatório de 2004, isentou Bayoumi sem ter tido acesso a certos vídeos e ao diagrama encontrados posteriormente.

Em 2018, um juiz autorizou o prosseguimento do processo movido pelas famílias, e milhares de documentos, vídeos e fotografias foram apresentados ao tribunal. Parte das provas teve o sigilo retirado por determinação executiva posterior, tornando possível o exame detalhado dos autos e a reavaliação de evidências que não haviam sido totalmente investigadas nas décadas anteriores.

O governo da Arábia Saudita e Bayoumi negam envolvimento ou conhecimento prévio dos ataques. Autoridades americanas — incluindo o FBI — têm se limitado a não comentar aspectos específicos do caso enquanto tramitam ações judiciais.

O processo em curso procura esclarecer o papel de Bayoumi e eventuais vínculos entre indivíduos e instituições sauditas e os autores dos atentados de 11 de setembro, além de apurar por que determinadas evidências reunidas logo após os ataques não foram compartilhadas ou investigadas de forma plena ao longo dos últimos 25 anos.

Fonte da imagem: SDNY

Fonte das informações: processo judicial movido pelas famílias das vítimas e documentos judiciais

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